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19/10/2011

MARCAS BUSCAM PRODUZIR ROUPAS SUSTENTÁVEIS PARA PRESERVAR O MEIO AMBIENTE

Apostar em e-commerce e investir em marketing digital são exemplos do que pode fazer seu negócio deslanchar neste ano
Entre as cinco mais poluentes do mundo, a indústria da moda tem sido pressionada a mudar de rumo quando se trata de produção em grande escala. As fast fashion, ou lojas de moda rápida, funcionam como os restaurantes de fast food: vendem mais por menos. Apesar de esse modelo de confecção ter um lucro mundial de cerca de US$ 18 bilhões por ano, ele afeta diretamente o meio ambiente e a sociedade. Nesse contexto, ativistas e profissionais visionários se unem para tentar mudar o cenário.

Em Brasília, três amigos se juntaram para tirar do papel o desejo de espalhar o conceito de roupas sustentáveis e agêneros. Anderson Falcão, Dayanne Holanda e Gioconda Bretas abriram, recentemente, a Armária, uma loja que vende peças de sete marcas brasileiras, todas comprometidas com a causa sustentável. “Realizamos uma curadoria com possíveis fornecedores. Entre os critérios de escolha estão a responsabilidade ambiental e social, ou seja, respeito a toda a cadeia produtiva”, explicam.

A Armária também é adepta do slow fashion e acredita que ele exerce potencial de mudança na indústria. A ideia do movimento é produzir em pequena escala, em menos coleções. Ou seja, as peças costumam ser atemporais, pois não seguem tendências sazonais a todo custo. Sendo assim, diminui-se a produção e reduz-se os impactos ambientais.

A loja Armária é propagadora de uma moda sustentável e agênero Dayanne acrescenta que não só as roupas, mas toda a estrutura e o mobiliário do espaço têm caráter sustentável. “Nossos móveis são antigos, ou de antiquários ou de pessoas que estavam vendendo pela internet. Nossas cortinas, paredes do provador e ecobags foram costuradas pela Associação Mãos que Criam, das costureiras da Estrutural.”

Nas telas
O documentário The true cost, de Andrew Morgan, mostra que o problema não está só no processo de produção do vestuário, mas também na principal matéria-prima que abastece a indústria têxtil: o algodão. O uso de pesticidas e agrotóxicos nas plantações tem causado impactos degradantes no solo, no ar e na saúde de quem planta e colhe.
A norte-americana Larhea Pepper, responsável por uma plantação de algodão no Texas, nos Estados Unidos, argumenta, no longa, que não adianta as pessoas só defenderem comidas orgânicas, por exemplo. A roupa que elas usam, muitas vezes, pode não ter origem orgânica, visto que cerca que 3,6 milhões de hectares de algodão, apenas nos EUA, são geneticamente modificados.

Buscando mercado
Para lojistas e designers que se interessam pela causa, é necessário conhecer o público que consome a moda sustentável. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) dá algumas dicas de como alcançar os clientes.
1 - Busque entender o seu cliente, procurando saber o que ele busca na hora da compra.
2 - Procure fornecedores que ofereçam produtos confeccionados com matéria-prima ecológica, tais como borracha reciclada de pneus para a confecção de sandálias, sapatos e cintos e tecidos feitos a partir de garrafas plásticas pet, algodão reciclável e algodão orgânico.
3 - Ofereça peças artesanais em mix de produtos.
4 - Valorize o seu produto aliando o artesanato à conscientização ambiental, envolvendo comunidades de baixa renda e disseminando esforços para conservação dos recursos naturais.
5 - Invista em produtos confeccionados com resíduos de indústria, como sobras de retalhos.
6 - Trabalhe uma boa comunicação, que destaque o valor do produto.

Na prática
Herman Bessler é um dos cofundadores do movimento Malha
Nessa pegada sustentável, surgiu a Malha, movimento que defende uma nova maneira de pensar, produzir e expressar a moda, tanto no sentido estético quanto comportamental. A iniciativa tem como sede um galpão industrial em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, e faz ações em todo o Brasil para conectar criadores, empreendedores, produtores, entusiastas e consumidores na defesa de uma moda que dialogue pacificamente com o meio ambiente e a população.

Herman Bessler, um dos cofundadores, explica que a Malha tem o objetivo de ensinar marcas a impactar o ambiente e a sociedade com uma moda sustentável, colaborativa, inovadora e independente. “Temos uma quantidade grande de conteúdo aberto e gratuito relacionado à moda sustentável. Difundimos esse conteúdo de diversas maneiras, em eventos, relatórios e mídias sociais”, relata. “É importante perceber que a sustentabilidade vem em quatro dimensões: ambiental, social, cultural e econômica. A integração disso tudo é que faz a moda sustentável.”
Contudo, Bessler ressalta que ter os quatro fatores atuando simultaneamente em um empreendimento é inviável até então. “Nem uma marca hoje no Brasil é totalmente sustentável nas quatro dimensões. Isso não é possível ainda. Mas nós achamos importante ajudar a fazer essa transição.”

De olho no futuro, Bessler acredita que a realidade entre moda e meio ambiente já está mudando por parte, sobretudo, dos consumidores. “Conforme os compradores se tornam ativos no processo, eles querem conhecer o modo de produção: saber quem fez a roupa, do que ela é feita. Isso vira um incentivo para que os produtores façam essa transição. Essa etapa, que hoje ainda é considerada de nicho, está cada vez mais se tornando um procedimento de massa, o que é extremamente positivo.”

Marcas engajadas
Grifes de renome nacional e internacional têm levantado a bandeira a favor da preservação ambiental. Conheça algumas delas:
Jaqueta bomber da Farm (R$ 298). A Farm criou o projeto re-Farm: o primeiro com foco em sustentabilidade e reaproveitamento de matéria-prima. A ideia resultou em diversos coletivos, incluindo o lançamento de uma linha exclusiva de jaquetas bomber, feita por meio de reutilização de tecidos da própria marca e de outras marcas envolvidas do grupo SOMA, como Animale, A.Brand, FYI, Foxton e Fábula. A Farm também tem a meta de parar com o descarte de resíduos têxteis em aterros sanitários e continuar a retorná-los para a cadeia produtiva.
Relógio Seamaster (preço sob consulta). Em parceria com a Fundação Good Planet, a marca de relógios criou um programa que visa proteger e despoluir os oceanos. Parte da receita da venda do modelo Seamaster Planet Ocean 600M, por exemplo, ajuda a financiar dois projetos de conservação oceânica na Indonésia.
Creme anti-idade Orchideé Imperiale da Guerlain (R$ 2.230). A maison francesa Guerlain escolheu atuar no mercado com sustentabilidade. A marca é a primeira empresa de cosméticos e fragrâncias a ser certificada pelo Ecocert por compromisso de biodiversidade e clima. Atualmente, 95% dos frascos de perfume são recicláveis. Além disso, a maison se comprometeu a diminuir, até 2020, em 50% a emissão de gás carbônico e a assinar produtos completamente ecossustentáveis.
Biquíni da BlueMan (R$ 118, cada peça). Pioneira nos biquínis denim, a BlueMan lançou uma minicoleção de moda praia, junto à marca AHLMA, com quatro modelos feitos de jeans reciclado. Com inspiração oitentista, a produção das peças foi feita com 80% a menos de água, impacto positivo no ambiente, já que a indústria jeans é uma das mais poluentes. Na composição das peças, também há resíduos têxteis descartados pela indústria.
* Estagiária sob supervisão de Sibele Negromon




Fonte:(http://www.superacessoinfo.com.br/supervisualizador/visualizador.aspxidanalisesubcanal=5558256&idemail=5269 )

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