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Indefinição sobre Rota 2030 põe em xeque R$ 16,7 bi em investimentos

Publicado em 09/02/2018

Apesar da promessa, montadoras dizem que sem Rota 2030 investimentos ficam em risco

Fonte: Folha

São R$ 16,7 bilhões em investimentos até 2022. Esse é o montante que as montadoras pretendem gastar no Brasil nos próximos cinco anos, mas tudo isso dependerá apenas da aprovação do Rota 2030. Apesar da promessa do governo de que até o fim de fevereiro a nova política será anunciada, as montadoras continuam inquietas.

O problema é que o montante acima foi pedido junto às matrizes, em justificativa dos benefícios concedidos pelo governo, através do Inovar-Auto, para que houvesse investimentos em redução no consumo, emissão de poluentes, segurança veicular, engenharia e pesquisa, entre outros. A meta de redução de 12% no consumo, por si só já foi um bom motivo para que as sedes dos fabricantes instalados no país concedessem autorização para injeção de mais dinheiro no Brasil.

Porém, sem um regime automotivo que dê continuidade aos impulsos gerados pelo Inovar-Auto, as montadoras não tem como justificar a manutenção de investimentos ligados aos pontos exigidos anteriormente. Como não haveria mais obrigação com tais metas, simplesmente as matrizes poderiam cortar os gastos no país, pois seriam desnecessários em um mercado onde tudo é liberado.

A questão toda é a demora na aprovação do Rota 2030. O novo regime automotivo criado pelas montadoras em parceria com o governo – no caso com o MDIC – é de vital importância para que as exigências continuem e que os incentivos fiscais para tais operações sejam mantidos. Isso vale não só para as montadoras, mas também para o setor de autopeças, que necessita de ajuda urgente para acompanhar a evolução da indústria.

Como até agora não foi anunciado, as filiais precisam de jogo de cintura para explicar aos chefes nas matrizes que as regras ainda irão sair. Mas quando? Ninguém sabe. A última promessa do governo veio através do ministro interino Marcos Jorge, que está na pasta do MDIC. Ele afirmou que a Fazenda fez novos cálculos e aprovou incentivos com teto de R$ 1,5 bilhão ao ano para o setor automotivo em troca do cumprimento de tais regras.

No resultado, o MF verificou que a arrecadação aumentará em R$ 2,5 bilhões ao ano apenas com a concessão desse teto. Em outras palavras, as montadoras ganham R$ 7,5 bilhões em benefícios durante cinco anos, mas o país leve R$ 12,5 bilhões a mais, fora o retorno dos incentivos em impostos gerados com o aumento dos investimentos nas áreas pretendidas. Além disso, o governo também acenou com um pacote de Indústria 4.0 em março, com o objetivo de modernizar o parque industrial brasileiro, o que beneficiará em especial as autopeças.

Apesar disso, nas filiais a preocupação é grande, pois as reuniões de investimentos globais dos fabricantes ocorrem a cada três ou quatro meses. Nesse caso, durante esse período, o atraso no Rota 2030 pode ser administrado e absorvido, mas estendendo-se muito mais, a situação se complica para as empresas instaladas no país, pois existe uma disputa interna por investimentos entre as operações globais de muitas marcas.

Assim, se o Brasil atrasar demais, o dinheiro pode mudar de mão e ir parar na Tailândia, Índia, Rússia, China ou qualquer outro lugar que apresentar mais vantagens. Nesse caso, não há volta para o dinheiro que foi embora. Outro ponto observado pelas montadoras é que as regras do Rota 2030 precisam ser mantidas conforme foram criadas, pois se o regime relaxar nas exigências, parte dos investimentos volta para as matrizes e a evolução dos produtos será bem mais lenta.

 

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