Blog

Observatórios

Acompanhe nas redes sociais:
  • Twitter
  • Facebook
  • Youtube
Enquete

O que achou do novo blog?

Cadastre-se

e receba nosso informativo

Tecnologia contra o desperdício

Publicado em 15/07/2015

O contraste é gritante. Enquanto cerca de 870 milhões de pessoas não têm o que comer no planeta, um terço de toda a comida produzida no mundo – aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas – é desperdiçado anualmente, segundo dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura). É um volume que daria para alimentar 900 milhões de pessoas. Esta realidade revela desequilíbrio social e um grave problema humanitário, mas também expõe um prejuízo econômico: a conta anual desse desperdício bate em um trilhão de dólares.

Nosso consumo global já é uma vez e meia maior do que a capacidade da Terra. Nossa única escolha é fazer mais com menos. Precisamos mudar os padrões de produção e de consumo do nosso sistema econômico atual”, alerta o diretor executivo do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e subsecretário geral da ONU, Achim Steiner. Muitos fatores influenciam na perda de alimentos e envolvem todo o ciclo produtivo. Começam ainda no campo, passam pela distribuição e chegam ao consumidor final. Para Antônio Gomes Soares, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos, o esforço para minimizar o desperdício envolve uma série de medidas. Ele cita a melhoria no tratamento pré e pós-colheita dos frutos e hortaliças, a adequação de embalagens ao tamanho e peso dos produtos, reeducação e treinamento de pessoal para aprimorar a manipulação de vegetais e adequação no transporte. Tudo isso para que o descarte de frutas, legumes e verduras na hora da compra seja cada vez menor.

DESPERDÍCIO EM CADEIA E FATOR APARÊNCIA

A cena se repete em todos os cantos do mundo: na hora de escolher legumes, frutas e verduras, o consumidor deixa de lado aqueles com deformações e pequenos defeitos na parte externa e seleciona apenas os perfeitos. Resultado: mesmo frescos, os vegetais que não seguem um padrão estético são descartados, numa espiral que cria gigantescos índices de desperdício de alimentos. Diante de um cenário de escassez, a aparência deve ser prioridade? Quem não acredita nisso, promove iniciativas para mudar esse padrão cultural e incentivar a venda de alimentos que, apesar de nem sempre bonitos, são nutritivos e excelentes para o consumo. A rede de supermercados francesa Intermarché, por exemplo, bolou a campanha “Frutas e Vegetais Inglórios”. O primeiro passo foi criar sucos e sopas preparados com alimentos “feios”, para mostrar que eles podem ser utilizados normalmente na culinária. A segunda etapa foi a venda de vegetais e frutas fora do padrão com 30% de desconto. As medidas tiraram das prateleiras, em dois dias, uma tonelada de frutas e vegetais “feios”, e ajudaram a conscientizar o consumidor sobre o desperdício. Campanhas semelhantes vêm se popularizando, com resultados positivos. Porém há muito a ser feito para reduzir as perdas desde o início da cadeia produtiva, ainda no campo.

Diante desse cenário, governo e indústria têm investido em pesquisa a fim de criar alimentos cada vez mais atraentes e ricos em nutrientes, como afirma Marcos José Fonseca, pesquisador em fisiologia e tecnologia pós-colheita da Embrapa. Investimento em pesquisa e desenvolvimento é um jogo de “ganha e ganha”: produtores reduzem as perdas, os consumidores recebem produtos mais duráveis e nutritivos e o planeta diminui o desperdício e avança rumo ao melhor aproveitamento dos recursos naturais. 

Fonte: Draft

Av. Comendador Franco, 1341 - Jardim Botânico - 80215-090
Fone: 41 3271 7900
Fax: 41 3271 7647
observatorios@fiepr.org.br
  • Twitter
  • Facebook
  • Youtube