clique para ampliarclique para ampliar (Foto: Bruna Lunardi)

A 9ª edição do Building Healthier Brands (BHB  FOOD), que aconteceu no dia 1° de novembro no espaço de coworking, Cubo Itaú, em São Paulo, teve como pano de fundo o consumidor, as transformações no comportamento de consumo de alimentos e os fatores que as empresas desse setor devem ficar focadas para atender às novas demandas.

O BHB FOOD é um dos principais eventos de tendências e inovações do mercado e, este ano, o tema foi “A Revolução da Comida”. O objetivo principal é expandir as relações do mercado de alimentos e bebidas, tirando esse segmento da “zona de conforto” e abordando temáticas abrangentes para a área, como marketing, saúde e nutrição. Ao todo, foram 14 palestras, divididas em quatro blocos.

Os paranaenses marcaram presença no evento. Quatro técnicos da governança do Sebrae e do Sistema Fiep e seis empresários participaram do BHB FOOD. Para Andréia Claudino, coordenadora estadual da área de agronegócios, alimentos e bebidas do Sebrae, “A participação possibilitou enxergar o que está acontecendo no mercado externo e quais são as tendências que já estão sendo aplicadas no mercado.  A presença de empresários e profissionais da área é importante, pois o Paraná precisa estar sempre atualizado para poder ter estratégias inovadora para desenvolver o segmento de alimentos saudáveis”.

O consumo de cada geração

O antropólogo Michel Alcoforado, PhD. e sócio-diretor da Consumoteca, foi um dos destaques do primeiro grande bloco da programação intitulado “Uma metamorfose ambulante chamada ser humano”. Em sua palestra, destacou o comportamento de consumo de alimentos de cada geração e suas diferentes visões do mundo.

Para ele, a geração baby boomers tem como grande característica a “tradição e fartura”, as receitas de família têm grande valor e a quantidade de comida é elevada. A geração Z foi classificada pelo antropólogo como tendo a particularidade da “confiança e da praticidade”. Com a elevação da mulher no mercado de trabalho, a busca é por marcas reconhecidas e que trazem credibilidade, além de buscar o tempo de preparo reduzido para otimizar a dinâmica do dia.

Já a geração Y é marcada pelo “lifestyle” e a busca por propósito, saúde para o corpo e para alma, valorizando a cozinha em casa, tempo de preparo, ingredientes diferenciados. Para Alcoforado, esses comportamentos foram responsáveis pelo boom da “gourmetização”. E a nova geração, a Z, é marcada pela “liberdade”. Tem como características a ansiedade, a busca por respostas rápidas e um aumento no consumo de alimentos mais gordurosos (junk food) – causado pelo poder aquisitivo menor (crise). A geração apresenta também um comportamento de “ostentação” nas redes sociais.

“Nesse contexto em que todas essas gerações estão ativas e consumindo, a mensagem é: as empresas precisam conhecer o seu público, seu consumidor e o que ele busca, para, assim, poder adequar o seu produto aos diferentes estilos de consumo e comportamento”, comenta Bruna Lunardi Dias, do Observatório Sistema Fiep.

Tecnologia e inovação

O segundo grande bloco do evento – “Pratos, dados e ideias em um universo tecnológico” – abordou o uso da tecnologia e seus impactos. Um dos painelistas foi o gerente de Clientes do Setor de CPG – Twitter Brasil, Marcello Vieira.

Em sua palestra ele destacou como as empresas de alimentos estão utilizando os conteúdos gerados pelos usuários da plataforma como fonte para gerar publicidade e engajamento com a marca. Ele citou exemplos como da Hellman´s que em uma ação identificou no período próximo ao Enem, que as pessoas comentavam muito sobre “lanches” e “quais lanches preparar”. A empresa fez, então, um vídeo curto do preparo de um sanduiche utilizando Hellmann’s e divulgou para esse tipo de público, gerando um aumento de 231% nas interações com a marca.

Outra empresa apresentada no segundo bloco como sendo um exemplo de utilização prática de tecnologia foi a NotCo. A empresa chilena criou o Giuseppe, uma inteligência artificial que cruza a estrutura molecular de alimentos de origem animal com uma base de dados com mais de 30 mil elementos para sugerir receitas e combinações que entreguem o mesmo resultado em termos nutricionais e de sabor.

O primeiro produto lançado pela marca foi uma maionese sem ovos que tem como base os ingredientes: limão, grão-de-bico, azeite, sal e pimenta. Em testes às cegas, segundo a marca, 98% dos consumidores não perceberam a diferença entre o produto feito a partir de ovos e o outro, de plantas. Mais recentemente, a marca lançou no Chile outras novidades, como um leite com o mesmo sabor do leite de vacas, mas que leva em sua composição repolho e abacaxi.

“São novidades que atendem as novas demandas do consumidor. É importante ficarmos atentos a elas para prever oportunidades de mercado”, afirma Bruna.

Experiência e qualidade

A terceira parte do evento, “Comida, alimento ou produto – junto ou separado?”, apresentou como o consumidor, que não abre a mão da experiência e do resgate alimentar, vai participar dessa nova era alimentar.

Para dialogar sobre essas perspectivas do futuro da comida, a fundadora e CEO da Equilibrium Latam, Cynthia Antonaccio, apresentou a importância da comida na construção das memórias afetivas e o protagonismo do ser humano nesta construção pela representação gráfica do Relatório de Tendências QTrends 2020.

Jan Handel, head de Marketing e Novos Negócios da NATURE’S HEART, falou da tendência sobre a naturalidade dos produtos e suas origens e mostrou como o mercado está se preparando para a educação alimentar dos novos consumidores e como esses produtos estão sendo inseridos em seus cotidianos.

Estamos prontos para o futuro?

O último bloco da programação, intitulado de “Diálogos que transformam”, ressaltou a importância das experiências humanas em um mundo VUCA (Volátil, Uncertain, Complex e Ambiguous), principalmente ligadas à comida.  A palestra “Sua marca está pronta para a era do consumo com propósito?” trouxe representantes da Natura e da Danone.

Eles comentaram como as empresas estão mudando seu modelo de negócio, buscando atender aos conceitos de sustentabilidade, economia circular, valorização da comunidade local e da essência da empresa, no contexto do Sistema B. Essa certificação faz parte de um movimento global que pretende redefinir o conceito de sucesso nos negócios e identificar empresas que utilizem seu poder de mercado para solucionar problemas sociais e ambientais Em dezembro acontecerá na no Campus da Indústria um curso sobre o sistema, o que significa ser uma Empresa B e quais as ferramentas. Para saber mais, acesse: https://www.sympla.com.br/multiplicadores-b---curitiba__708793

O evento também contou com uma área de exposição com networking, consultorias, trocas e apresentações de novos produtos para profissionais do marketing, empreendedores e entusiastas da alimentação.

Roadmap Agroalimentar 2031

O estudo, que faz parte do projeto Rotas Estratégicas para o Futuro da Indústria Paranaense, aponta as principais ações necessárias para o desenvolvimento desse setor no estado. A construção do documento, contou com a participação de 139 especialistas - representantes de empresas, governo, meio acadêmico e terceiro setor - resultando em 151 participações em todo seu processo de elaboração. É uma iniciativa do Sistema Fiep cujo propósito central é mapear os caminhos de construção do futuro desejado para o setor industrial identificado como promissor para a indústria do Paraná, tendo como horizonte temporal o ano de 2031.

“De maneira geral todos esses elementos citados no evento estão representados nas grandes temáticas das visões de futuro ‘economia circular’, ‘reconhecimento de procedência’, ‘produtos orgânicos’, ‘alimentos funcionais e para fins especiais’ da Rota Agroalimentar. Nas ações de futuro são tratados os tópicos ‘desenvolvimento de produtos com utilização de inteligência artificial, com fontes alternativas de proteínas, com utilização de biotecnologia’. Também é tratada a importância ‘de cadeias curtas de fornecimento, valorização de produtos locais’, ‘desenvolvimento de novos modelos de negócio considerando o consumidor omnichannel’ dentre outros tópicos. Nas tendências e tecnologias-chave aparecem ‘fontes alternativas de proteínas’, ‘transformação digital’, ‘novos comportamentos de consumo’, ‘alimentação personalizada’, ‘economia colaborativa’, ‘clean label’, dentre outras apontadas no evento”, afirma Bruna.

Para conferir o documento acesse:  http://www.fiepr.org.br/observatorios/FreeComponent33632content381626.shtml

Com informações do site Equilibrium Latam, Whow e Sistema Fiep.

Leia mais notícias sobre o setor em http://www.fiepr.org.br/boletins-setoriais/1/