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COMPETITIVIDADE - 17/10/2013

Indústrias de madeira e móveis apresentam reivindicações ao governador

Com apoio da Fiep, empresários pediram a Beto Richa soluções para questões que afetam a competitividade dos setores, como os índices de reajuste do salário mínimo regional e os altos custos de pedágio
clique para ampliar>clique
            para ampliarO governador Beto Richa e o presidente da Fiep, Edson Campagnolo (ambos ao centro), durante reunião no Palácio Iguaçu.

Lideranças empresariais dos setores de madeira e móveis do Estado, com apoio da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), apresentaram nesta terça-feira (1º) ao governador Beto Richa demandas que consideram prioritárias para aumentar a competitividade dos segmentos. Os empresários pediram ao governo soluções para alguns fatores que têm elevado os custos de produção das indústrias locais, como o alto preço dos pedágios, os valores cobrados para movimentação de contêineres no Porto de Paranaguá e os índices de reajuste aplicados ao salário mínimo regional. O grupo se encontrou ainda com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Valdir Rossoni, e também pediu apoio da Casa na busca por soluções para os temas apresentados.

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O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, que acompanhou os empresários, destacou a grande representatividade dos dois setores no encontro com o governador. “Temos aqui representantes de todos os sindicatos empresariais desses setores, de todas as regiões do Estado, o que mostra a união do segmento”, afirmou Campagnolo. Ele também ressaltou ao governador a importância dos setores para a economia paranaense. Atualmente, a indústria da madeira emprega 42 mil trabalhadores no Paraná, enquanto a de móveis gera mais 43 mil empregos. “Mas esses e outros setores da indústria têm sentido dificuldades, por isso trazem algumas demandas pontuais que podem ajudar a manter sua competitividade”, afirmou.

O empresário Paulo Roberto Pupo, presidente do Sindicato das Indústrias da Madeira de Imbituva (Simadi) e coordenador do Conselho Setorial da Indústria da Madeira da Fiep, afirma que entre 2004 a 2011 o setor madeireiro fechou mais de 15 mil postos de trabalho no Paraná, segundo dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego. O segmento, que exportava boa parte de sua produção especialmente para os Estados Unidos, foi um dos que mais sofreu com a crise internacional de 2008.

Agora, quando começa a recuperar parte das exportações, enfrenta problemas de custos elevados para movimentação de contêineres no Porto de Paranaguá. “A administração do porto realizou uma série de melhorias que aumentaram a eficiência do terminal, mas os armadores não repassaram aos clientes as reduções de custos que tiveram com essas melhorias”, disse Pupo, acrescentando que atualmente são movimentados cerca de 5 mil contêineres de madeira no porto por mês. “Com isso, hoje os custos para movimentação em Paranaguá estão 30% mais altos do que nos portos de Santa Catarina”, explicou. Segundo ele, muitas empresas paranaenses já têm optado por exportar pelos terminais catarinenses.

Outro ponto que de acordo com os empresários tem contribuído para a elevação dos custos das empresas é o preço do pedágio no Paraná. “A maioria das empresas desses setores é do interior do Estado e o pedágio impacta duas vezes em suas planilhas de custos, já que elas precisam transportar tanto os insumos para a produção quanto seus produtos finais”, afirmou Campagnolo. “Sabemos que o governo vem realizando negociações na questão do pedágio, mas o setor produtivo precisa de soluções urgentes, já que pagamos tarifas muito superiores do que as praticadas em outros estados”, completou o presidente da Fiep.

Em relação às duas questões, o secretário estadual da Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, que também participou da reunião, afirmou que o governo vai levar em conta as demandas dos empresários. No caso do porto, a reivindicação será levada à superintendência da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) para que sejam analisadas as providências que podem ser tomadas. Em relação ao pedágio, ele disse que o governo do Estado deve ter em mãos até o fim deste mês dois estudos que encomendou de instituições independentes, que vão apontar cenários viáveis para adequar as concessões.

O governador Beto Richa acrescentou que, quando os estudos estiverem concluídos, vai conversar com as entidades representativas do setor produtivo para definir a melhor solução para o problema do pedágio. “Sabemos que o setor produtivo é onerado pelos preços elevados das tarifas, mas existem contratos que precisam ser obedecidos. Quero decidir em conjunto com a sociedade organizada qual é a melhor solução para essa questão”, declarou.

Mínimo regional

Apesar das preocupações na área de infraestrutura, a demanda mais defendida pelos empresários foi a dos reajustes do salário mínimo regional. Segundo as lideranças das indústrias madeireira e moveleira, os índices muito acima da inflação definidos pelo governo nos últimos anos, apesar de não valerem diretamente para as categorias profissionais com convenções coletivas assinadas, geram pressão por parte dos trabalhadores nas negociações.

“Essa interferência do Estado é extremamente negativa e afeta todos os setores porque fica difícil sentar à mesa e negociar”, afirmou o empresário Gilson Berneck. Segundo ele, as convenções devem ser pautadas pela livre negociação, que leve em conta a realidade de cada setor e de cada região. “O Estado deve deixar a iniciativa privada tocar sua vida. É preciso coragem para isso, mas precisamos corrigir a política do mínimo regional, que está afetando a competitividade de toda a indústria paranaense”, concluiu Berneck.

O empresário João Alberto Soares de Andrade, presidente do Sindicado das Indústrias da Madeira e Mobiliário do Oeste do Paraná, ressaltou que o setor produtivo tem perdido o poder de negociação com a atual política do piso regional. “Participo de negociações coletivas há 20 anos e desde que surgiu o mínimo regional, ele virou parâmetro. Não se abre uma negociação abaixo do índice indicado para o mínimo. Os ganhos reais para os trabalhadores devem ocorrer, mas baseados em negociação, o que foi perdido”, disse.

Para Nelson Poliseli, presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas, principal polo do setor no Estado, essa situação tem prejudicado efetivamente a competitividade das empresas paranaenses. “Os pisos de outros estados são menores, o que prejudica nossa concorrência com eles”, declarou.

Após ouvir explicações do secretário do Trabalho, Emprego e Economia Solidária, Luiz Cláudio Romanelli, também presente no encontro, o governador Beto Richa propôs uma nova reunião para que sejam confrontados números apresentados pelos empresários e pelo governo do Estado. “O estilo do nosso governo é democrático, transparente. Sou sensível à preocupação dos empresários e estou disposto a retomar o diálogo, de forma madura, com uma discussão técnica, para chegarmos a um denominador comum”, afirmou o governador. “Esta é uma decisão política sim, porque ocupo um cargo político, mas é importante que ela tenha um caráter público”, completou.

Assembleia Legislativa

Depois do encontro com o governador Beto Richa no Palácio Iguaçu, os empresários foram até a Assembleia Legislativa do Paraná, onde se reuniram com o presidente da Casa, deputado Valdir Rossoni. Eles apresentaram as mesmas demandas ao parlamentar e pediram apoio do Legislativo estadual na busca por soluções para os problemas que comprometem a competitividade dos setores. Para Campagnolo, a atuação dos deputados é fundamental. “A Assembleia, que é composta por representantes da sociedade, é o fórum adequado para discutirmos essas questões”, afirmou o presidente da Fiep. Rossoni recebeu um documento com as reivindicações das lideranças empresariais e se comprometeu a debatê-las no âmbito do Legislativo.

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