Simadi
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. - 16/12/2011

Otimismo da indústria paranaense é o menor em três anos

Pesquisa da Fiep revela que 76,95% das empresas têm expectativas favoráveis para 2012. Índice teve queda de dez pontos percentuais em relação ao último levantamento

O presidente Edson Campagnolo, com os economistas da Fiep, Maurílio Schmitt e Roberto Zurcher (Foto: Mauro Frasson)

O otimismo do setor industrial paranaense para 2012 atingiu o menor nível dos últimos três anos. A 16ª edição da pesquisa Sondagem Industrial, divulgada nesta quinta-feira (15) pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), mostra que 76,95% das empresas entrevistadas têm expectativas positivas para o ano que vem. O índice é dez pontos percentuais menor do que o registrado no último levantamento.

Para o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, o resultado do levantamento reflete o momento de incerteza da economia internacional, que interfere no ambiente interno. “Com tanta notícia ruim que vimos recentemente, é difícil manter o humor em alta durante todo o tempo. Apesar disso, ainda percebemos um clima de otimismo na indústria paranaense, mas com muita responsabilidade e cautela”, diz.

Campagnolo aponta outro fato que ajuda o empresariado do Estado a manter o otimismo para 2012¸ ainda que em níveis menores do que o de anos anteriores. “O Brasil e o Paraná têm sido objeto de muitos investimentos de multinacionais de vários segmentos. Elas estão percebendo uma oportunidade e que existe uma demanda interna. Isso também motiva os industriais paranaenses a continuarem com boas perspectivas”, justificou.

Números

Para elaborar a Sondagem Industrial 2012, a Fiep entrevistou 425 empresas paranaenses, de todas as regiões do Estado e de diferentes portes. Essas indústrias empregam 106 mil pessoas, aproximadamente um quinto do número total de trabalhadores do segmento. A pesquisa apontou que 76,95% das empresas têm expectativa favorável para o próximo ano, contra 14,41% com perspectiva desfavorável. Outros 8,65% disseram não ter definição sobre seu desempenho em 2012.

O otimismo dos industriais paranaenses registrou o nível mais baixo desde 2009, quando apenas 62,17% afirmaram ter perspectivas favoráveis. Nos dois últimos anos, as expectativas de desempenhos positivos haviam atingido índices elevados, de 86,42% para 2011 e 87,78% para 2010.

O coordenador do Departamento Econômico da Fiep, Maurílio Schmitt, aponta outros fatores que contribuíram para a queda do otimismo da indústria paranaense. Entre eles, os sinais de desaceleração apresentados pelo mercado interno. Segundo o economista, até outubro deste ano a indústria paranaense registrava crescimento de 6,5% em suas vendas, mas com a velocidade de expansão caindo mês a mês.

Além disso, o crescimento da economia brasileira baseado na abundância de crédito para o consumo também pode influenciar no desempenho para o próximo ano. “Crédito é importante para a economia, mas tem que ser na dose adequada, distribuído tanto para produção quanto para o consumo. No Brasil, o crédito para o consumo é muito maior do que o para produção e esse descompasso cria distorções na economia doméstica”, afirma. Para suprir essa expansão de demanda causada pelo crédito abundante ao consumo, o país incentivou o ingresso de produtos importados que, somado à questão cambial, dificultou a concorrência de alguns produtos industriais no próprio mercado interno.

Investimentos

A Sondagem Industrial da Fiep revela ainda que, entre os empresários que se dizem otimistas, 40,57% pretendem realizar novos investimentos em 2012. Desses, 77% afirmaram que utilizarão recursos próprios para concretizá-los. Além disso, 38,99% das empresas acreditam em aumento nas vendas no próximo ano, enquanto 20,44% esperam crescimento do número de empregos.

Em relação às principais estratégias que serão utilizadas pelas indústrias do Estado em 2012, 62,2% declararam que a satisfação do cliente está em primeiro plano. Em seguida, com 51,22%, aparece o desenvolvimento de novos negócios. A maioria das empresas (48,05%) também afirma que seus investimentos serão voltados principalmente para o aumento de produtividade.

Para que essas metas sejam atingidas, as empresas consideram essencial um melhor gerenciamento de pessoal. Segundo 59% delas, a atenção aos recursos humanos foi o principal fator que possibilitou ganho de produtividade em 2011. Por isso, 54,88% das empresas afirmam manter recursos destinados ao treinamento dos funcionários, incentivando a educação e o aprendizado. As indústrias indicam ainda que 58,05% das empresas apostam na qualificação profissional como estratégia para enfrentar a concorrência nacional e internacional.

Dificuldades

A Sondagem Industrial também questionou os empresários sobre os principais empecilhos que atrapalham a competitividade das indústrias no mercado interno. Assim como aconteceu em todas as outras edições da pesquisa, a carga tributária elevada continua no topo das dificuldades, indicada por 75,61% das empresas.

Para o presidente da Fiep, o índice reforça a necessidade de mudanças não apenas no sistema tributário brasileiro, mas em outras questões que afetam o desempenho da indústria. “Enquanto não tivermos as reformas tributária, fiscal, trabalhista e previdenciária, entre outras, vamos continuar fazendo com que o industrial enfrente muitas dificuldades”, afirma Campagnolo. Segundo ele, em 2012 a Fiep seguirá trabalhando no movimento A Sombra do Imposto, lançado há um ano, buscando a adesão de entidades em nível nacional. “Pretendemos continuar batendo na porta da equipe econômica do governo para mostrar que precisamos de mudanças nessa área”, explica.

Inovação

O levantamento da Fiep mostra ainda que 41,76% das indústrias paranaenses investem em meios próprios de pesquisa e desenvolvimento. “O industrial percebe que, se investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação, terá vantagens competitivas, principalmente na concorrência com produtos importados”, afirma Campagnolo.

O presidente da Fiep, porém, mostra preocupação com o fato de que apenas 10,39% das empresas recorrem a universidades na busca de conhecimentos, parcerias, novas tecnologias ou inovações. “Esse dado é preocupante, porque há um distanciamento entre as academias e as indústrias”, diz. “Na Fiep, temos a intenção de trabalhar nessa aproximação entre universidades e empresas nos próximos anos”, completa.

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