O verdadeiro peso das eleições municipais - Rede Empresarial
O verdadeiro peso das eleições municipais
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A verdadeira influência da disputa pela prefeitura nas eleições presidenciais de 2010

As eleições municipais são consideradas o primeiro round da disputa presidencial. Muitas vezes elas são a ante-sala da corrida ao Planalto. Assim foi em 1988 e 2000, dois pleitos nos quais os bons resultados do PT deram impulso para a candidatura Lula. Isso também ocorreu em 1996, quando o crescimento do PSDB nos rincões do país e a dispersão de votos nas capitais revelaram que não haveria força política capaz de derrotar a reeleição de FHC.

É inegável a importância da disputa municipal, mas é preciso não exagerar sua influência. A eleição para a Presidência ocorrerá daqui a dois anos, tempo suficiente para acontecer boas ou más notícias para qualquer governo. O apagão em 2001 foi mais importante para a derrota do continuísmo tucano que a expansão eleitoral do PT em 2000. Se ocorrer uma nova crise energética em 2009, será muito difícil para o presidente Lula eleger seu sucessor, independentemente do que ocorra nas urnas neste ano.

Cada eleição municipal tem sua história. A deste ano envolve a possibilidade de um crescimento do PT e do PSB no Nordeste, bem como um grande equilíbrio na disputa das capitais. Nestas, há poucos candidatos petistas competitivos, porém não se espera nenhuma grande onda oposicionista. Para além da matemática eleitoral, vale prestar atenção nas disputas nos centros urbanos, para observar se surgirão agendas que poderão fazer diferença em 2010.

Outro erro recorrente precisa ser evitado nas análises eleitorais em 2008. Trata-se de considerar o pleito local uma coisa única. Eleições municipais no Brasil têm múltiplas facetas, algumas atinentes apenas à dinâmica regional do poder, enquanto outras têm alcance nacional. Certos líderes locais sairão vencedores sem que isso altere a estratégia mais geral dos partidos.

Feitas as ressalvas, é possível distinguir dois tipos de efeito dos pleitos locais na dinâmica política nacional. O primeiro diz respeito às conseqüências para o jogo congressual. O segundo refere-se aos impactos das eleições municipais na disputa presidencial.

Eleições municipais são divisores de água para o controle das bases governistas no sistema multipartidário brasileiro. Como elas ocorrem no meio do mandato, os congressistas as utilizam para fortalecer seus laços com os eleitores – em alguns casos, concorrendo à Prefeitura. Do ponto de vista do Executivo federal, o pleito local muitas vezes coloca em confronto os partidos da situação. Quanto menos rusgas ficar, melhor para os dois últimos anos de governo. Do contrário, acontece aquilo que vimos na crise do mensalão, motivada, sobretudo, pelas rusgas entre o PT e as outras siglas aliadas.

Já o efeito dos resultados eleitorais sobre a corrida ao Planalto pode ser observado de dois ângulos. Um é o da conquista do maior número possível de prefeituras. Isso dá maior capilaridade aos partidos para a eleição de 2010. Mas existem algumas disputas que colocam mais em jogo o embate nacional. Neste ano, o caso mais importante é o da capital paulista. Ela terá impacto sobre a definição das candidaturas e das alianças para 2010. Se Serra for o fiel da balança, elegendo o prefeito Kassab, garante a parceria com os democratas e praticamente se torna o presidenciável tucano. Caso o vencedor seja Alckmin, sem o apoio do governador e do DEM, a disputa no PSDB será definida na última hora. E, na hipótese de uma vitória de Marta Suplicy, o PT optará por um quadro próprio à sucessão de Lula, mesmo que não seja ela.

A eleição municipal não define quem será o próximo presidente, embora tenha efeitos sobre essa disputa. Por isso, caro leitor, vote para prefeito naquele que apresentar as melhores propostas para sua cidade, independentemente das conseqüências disso para o plano nacional. Pois sua escolha em 2008 só pode, com total certeza, afetar a vida de seu município.

Fernando Abrucio* é  doutor em Ciência Política pela USP e professor da Fundação Getúlio Vargas (SP).


Fernando Abrucio*, colunista da Época - Edição nº505

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Nome: Ismar J. Teixeira    07/10/2008 12:15

Comentário: Venceu o Poder Econômico em grande parte do pleito.

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Nome: Arnaldo Vianna de Azevedo Marques    03/10/2008 20:38

Comentário: Gostaria de citar algumas palavras do renomado comediante e cineasta britânico Charlie Chaplin (1889-1977): "Aqueles que ignoram a situação política estão enterrando a cabeça na areia. É preciso ser louco para fazer isso e ignorar a política quando ela é tudo o que importa". O Presidente da SGI - Soka Gakai International (Sociedade Internacional de Criação de Valores) Daisaku Ikeda ao citar essas palavras de Chaplin conclui: "Em outras palavras, não podemos ignorar a política enquanto fizermos parte da sociedade; de fato, devemos manter uma vigilância rigorosa sobre o governo e nossos líderes políticos. Importantes pensadores e ativistas de todo o mundo salientam esse ponto."

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Nome: Luiz Carlos Peretti    03/10/2008 18:50

Comentário: Tenho observado que os candidatos estão ficando hábeis nas suas propostas, porém muitos não avaliam a capacidade financeira do município e as coisas ficam por consequência apenas nas promessas. Existem sim outras fontes de recursos que o que é preciso são bons projetos que atendam as necessidades do povo. Vejo que há necessidade de avançarmos na questão da maturidade politica e só a educação com a boa informação fará as pessoas entenderem melhor o jogo do processo político no Brasil. Há muita corrupção, venda do voto, assistencialismo e isso tudo levado pela facilidade de manipular uma grande massa do povo, pela sua ignorância e falta de instrução. Creio que levaremos bom tempo para atingirmos um nível de cidadania politica aceitável, mesmo neste novo cotesto do mundo moderno. Volto a frizar, é precisa educar para o aprender, entender e compreender.

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