O momento é de avaliar não apenas os candidatos, mas também os eleitores
Está chegando a hora. A contagem é regressiva. Daqui a poucas horas, os eleitores irão comparecer às
urnas para escolher quem irá governar a cidade nos próximos anos. Vão eleger também os novos vereadores,
que têm a importante função de legislar e fiscalizar as ações do Executivo. Trata-se do
momento de ápice de democracia. É chegada a hora de avaliar não apenas os candidatos, mas também
os eleitores.
Muito se falou, desde o início do período eleitoral, do voto ético e consciente. Os magistrados, a imprensa
livre e entidades defensoras da ética e da cidadania, como é o caso da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil),
não pouparam esforços em levar à população informações imprescindíveis
no combate à corrupção eleitoral. A divulgação dos candidatos com a "ficha suja",
isto é, com pendências junto à Justiça, foi um dos meios encontrados para mostrar aos eleitores
quem são aqueles que buscam o voto no próximo domingo.
O apelo, portanto, ao voto consciente, veio de todos os lados. E a própria legislação eleitoral se encarregou,
ao longo dos últimos anos, de se enrijecer, no sentido de tornar crime ações como a distribuição
de brindes, a troca de voto por favores e outras coisas do gênero, que sempre ofuscaram o brilho das eleições.
É exatamente por tudo isso, que o eleitor brasileiro também será julgado nas urnas.
Mas será que a população adquiriu, realmente, maior maturidade política ao longo dos últimos
anos? Ou de nada adiantaram tantos apelos? A impressão é que um longo caminho ainda existe para ser percorrido.
Mas também não há como negar que alguma coisa já mudou e para melhor. As entidades e a imprensa,
especialmente, estão mais vigilantes. Exercem com maior rigor o direito/dever de fiscalizar as ações
dos candidatos.
É claro que os abusos e as irregularidades ainda existem. E persistem porque também há eleitores que
se coadunam com os candidatos corruptos, que buscam o poder a qualquer custo. Porém, consola o fato de que hoje o quadro
é bem menos desolador se comparado a eleições anteriores, quando as regras eram outras e a conduta dos
eleitores também.
Esta reta final da disputa eleitoral é o momento que mais exige responsabilidade, prudência e bom senso da população.
Porque é agora que os candidatos partem para o tudo ou nada. Os eleitores mais desavisados ou que possuem vocação
para a falta de honestidade tornam-se presas fáceis. Acabam entregado o voto em troca de favorecimentos pessoais. Cabe
aos cidadãos que já se deram conta da importância do voto ético e consciente agir de forma enérgica.
É preciso denunciar quem põe em risco a democracia. Quem tenta impor a vitória, em vez de conquistá-la
por decisão da maioria. A Justiça, o Ministério Público, a OAB, o Movimento de Combate à
Corrupção Eleitoral (MCCE) e a imprensa livre e séria estão de prontidão diante desse desafio
de zelar para que esta eleição municipal transcorra de forma tranqüila, sem atropelos e condutas criminosas.
Mas é necessário que todos estejam de olho!
Editorial Jornal da Manhã News - 03/10/2008