Como os vereadores são eleitos - Rede Empresarial
Como os vereadores são eleitos
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Nos últimos dias fiz uma pesquisa informal. Perguntei a diferentes pessoas se elas sabiam qual era a regra utilizada para distribuir as cadeiras das Câmaras dos Vereadores entre os candidatos. Como existem bem mais candidatos do que vagas alguma norma há de ter para que alguns sejam eleitos e outros fiquem de fora. Nove entre dez pessoas disseram que os eleitos são aqueles candidatos mais votados (independentemente dos partidos ao qual pertencem) na cidade. Se uma Câmara tem nove vereadores, os nove mais votados se elegem.

Meus respondentes se surpreendem quando digo que esta não é a regra. Mas por que será que quase todos eles imaginam que seja assim? Minha impressão é que a lógica das eleições majoritárias para cargos do Executivo (prefeitos, governadores e presidente) acaba contaminando a visão dos eleitores. Se durante a campanha os vereadores pedem votos para si como os prefeitos, se no momento de votação na urna eletrônica os eleitores quase sempre votam em dois nomes (o do vereador e do prefeito) e assistem a seus retratos aparecerem na tela, é natural que tenhamos a impressão que o sistema é semelhante: o candidato mais votado para prefeito fica com a vaga; os mais votados para a Câmara dos Vereadores são eleitos.

O que poucos eleitores sabem é que o sistema eleitoral utilizado nas eleições para Câmara dos Vereadores é o proporcional. Neste sistema o mais importante é saber quantos votos cada partido (ou coligação) recebeu. Por isso, os votos de todos os candidatos que disputam por um partido (ou coligação) são somados e a eles são ainda acrescentados os votos de legenda.

Abaixo apresento um exemplo para que os leitores possam aprender como são eleitos os vereadores. O processo costuma confundir mesmo os que acompanham a política de perto, como jornalistas e militantes partidários. Sei que até políticos experientes às vezes se perdem nos seus detalhes. Por isso, para os que não tiverem paciência e interesse para ir adiante, o mais importante é entender que:

• Se você anula ou vota em branco seu voto não tem nenhuma serventia na distribuição das cadeiras.

• Se você vota em um determinado candidato, este será somado ao de outros candidatos do mesmo partido (ou coligação).

• Se você vota na legenda, seu voto é somado aos votos dos candidatos que pertencem àquela legenda. Caso o partido esteja coligado, entram na conta os votos dos candidatos e o voto de legenda de outros partidos.

• Se o partido que você votou não atingir um mínimo de voto (o quociente eleitoral) ele não pode receber nenhuma cadeira.

• Você pode votar em um candidato que recebeu muitos votos e ele pode não se eleger; enquanto outro com muito menos votos é eleito. E vice-versa.

As contas para a eleição de um vereador

Vou tentar mostrar como a distribuição das cadeiras da Câmara dos Vereadores é feita a partir de um exemplo hipotético. Imagine uma cidade com 60.000 eleitores que elege 10 vereadores. Cinco partidos apresentaram candidatos a vereador e tiveram as seguintes votações: PMDB (16.000 votos), PT (14.000 votos), DEM (11.000 votos) PSDB (7.500 votos), e PTB (1.500 votos). O número de eleitores que não foram votar é de 6.000 e dos que deixaram os votos em branco ou anularam é de 4.000.

Vou apresentar os passos para se calcular as cadeiras de cada partido. Os leitores (as) que desejarem podem obter os resultados de eleições de outras cidades e tentar seguir o mesmo roteiro:

1. Retire dos eleitores inscritos, aqueles que faltaram (abstenção). No nosso exemplo, faltaram 6.000 pessoas. Assim, ficamos com 54.000 eleitores que compareceram.

2. Retire dos que compareceram, os que votaram em branco e anularam o voto. No nosso exemplo o total de pessoas que votaram em branco ou anularam foi de 4.000. Ficamos com 50.000 votos válidos.

3. Divida os votos válidos (50.000) pelo número de cadeiras da Câmara dos Vereadores (10) e encontre o quociente eleitoral: 5.000 votos.

4. Observe que se um partido não atinge o quociente eleitoral ele não pode receber nenhuma cadeira. No nosso exemplo, o PTB obteve 1.500 votos, então ele não elegerá nenhum vereador.

5. Divida o total de votos de cada partido pelo quociente eleitoral. O resultado indicará o número de vereadores que cada partido elegerá:

Partido Votos          Quociente eleitoral       Cadeiras
PMDB                    16.000/5.000 = 3,2              3
  PT                         14.000/5.000 = 2,8             2
DEM                       11.000/5.000 = 2,2             2
PSDB                      7.500/5.000 = 1,5              1


6. Observe que após a divisão acima oito cadeiras foram alocadas para os partidos. Ficaram, portanto, faltando duas. Essas são distribuídas por um método bem complicado, conhecido como o de maiores médias: o total de votos de cada partido é dividido pelas cadeiras que ele obteve mais uma. Depois da divisão, os que ficarem com os maiores médias elegem a próxima cadeira:

Partido Votos           Quociente eleitoral           Cadeiras
PMDB                        16.000/5.000 = 3,2                     3
 PT                             14.000/5.000 = 2,8                     2
DEM                          11.000/5.000 = 2,2                     2
PSDB                         7.500/5.000 = 1,5                      1

As duas maiores médias foram do PMDB e do PT, por isso estes dois partidos receberam as duas cadeiras restantes.

7. O número final de vereadores eleitos pelos partidos é o seguinte: PMDB (4); PT (3); DEM (2); PSDB (1).

8. Os candidatos mais votados de cada partido ocupam as vagas obtidas.

FONTE: Revista Veja - Matéria Publicada no dia 23/09/2008


Jairo Nicolau, colunista da Veja - 26/09/2008

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Nome: Edinaldo    10/10/2008 16:35

Comentário: quero aprender a fazer o calculo de como os canditatos se elegen

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Nome: jaden    09/10/2008 21:23

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Nome: dorival de arruda moura filho    07/10/2008 00:01

Comentário: Gostaria de saber, como é que em uma cidade com 300.000 habitantes, um garoto de 18 anos pode fazer 3.000 votos e eleger-se. Será que foi por trabalhos efetuados à comunidade, por muita popularidade (com apenas 18 anos), ou muito dinheiro? Talvez a nossa justiça eleitoral tenha problemas de olfato, pois há aí um fortíssimo odor de corrupção eleitoral. Ou então pode ser o esforço de um pai exemplar abrindo caminho na política para o seu filhinho. Ponta Grossa - Paraná - BRASIL

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Nome: ARAILTO MIGUEL RUTHES    02/10/2008 17:33

Comentário: Para termos uma ELEIÇÃO limpa e séria, deve-se mudar as leis eleitorais. Do jeito que está, você vota para aquela pessoa séria, que voce conhece, se ela não atingir o coeficiente eleitoral, o seu voto pode ser direcionado para aquela pessoa que voce conhece, e jamais iria votar nela, porque conhece seu passado e presente, nada dificil de prever o futuro dela. Portanto, na minha opinião seria a seguinte: Se a sua cidade vai eleger 10 vereadores, então os dez mais votados, com seus próprios votos, assumem as 10 cadeiras do legislativo. E pronto.

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Nome: Ricardo    01/10/2008 12:00

Comentário: Muito oportuna a matéria da Revista Veja! Isto me fez pensar na nossa Câmara de Vereadores de Curitiba, uma vergonha! O gasto total anual deles? R$ 2 milhões por vereador, sendo um total de 38 vereadores. O que eles fazem? Não conheço nenhum projeto relevante deles, a não ser nomes de ruas, criação de praças e títulos honoríficos. Todos os projetos relevantes que votam vêm do executivo municipal! É uma vergonha! Porque o presidente da Câmara,Sr.Denrosso,aumentou seu salário em 40%? 12 vereadores que gastassem R$ 500 mil reais por ano cada um é o que desejo para Curitiba e é o que estou disposto a contribuir com meus impostos e como cidadão. Não precisa de mais!

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Nome: Luiz Paulo Langari    29/09/2008 10:36

Comentário: Concordo com o articulista quando ele fala que existe enorme dificuldade de compreensão dos critérios da eleicão proporcional porém entendo que é em função da falta de educação(estudo,matemática,compreensão de textos,etc...) que origina isso. Em duas eleições anteriores no municipio de Palmas (a original), salvei o mandato de um candidato interferindo diretamente na coligação que foi feita e no rol de candidatos que foram registrados. Até hoje sinto que não entenderam o raciocínio e embora fora da politica partidária continuam fazendo consultas... Parabéns ao articulista e espero que todos possam compreender o que foi exposto.Sds. Luiz Paulo.

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Nome: helio vachanski    29/09/2008 09:45

Comentário: INFELIZMENTE TUDO ISSO É VERDADE.... QUASE TODOS ELEITORES DESCONHEÇEM DE QUE FORMA OS VEREADORES SÃO ELEITOS. TRISTE REALIDADE.... URGE POR UMA AMPLA E TRANSPARENTE REFORMA POLITICA,COM A PARTICIPAÇÃO DE TODAS CAMADAS SOCIAIS PARA QUE POSSARMOS REDUZIR A CORRUPCAO.... PARA UMA CONVIVENCIA SOCIAL SADIA....

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Nome: Alexandre Nobre    29/09/2008 08:36

Comentário: Não entendi o último cálculo, pelo que parece é idêntico ao anterior, com os mesmo resultados, é isso mesmo?

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Nome: Maria Ângela Moreira    28/09/2008 18:07

Comentário: Olá! Tivemos 8 Constituições,sendo que a última, assegura os direitos sociais e individuais, a liberdade, segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos ... Nossa !!!! será que estamos falando do mesmo assunto? Será que o país da reportagem é o mesmo da constituição? Será que emburreci ... e, nada entendi? A "Constituição da República Federativa do Brasil" de 5 de outubro de 1988 assegura a democracia, será que há outra Constituição? Maria Ângela

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Nome: Antonio Carlos Roos    28/09/2008 09:27

Comentário: A matemática do ítem 6 tá errada. É mera repetição do ítem 5. Corrijam, Por favor. O sistema proporcional é perverso porque transforma correligionários em adversários diretos. É antidemocrático porque transforma a política em guerra e fica avesso ao surgimento de novos atores na vida política de uma cidade. A renovação sempre será baixa porque os velhos caciques não vão admitir que gente nova tome seus lugares.

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