A crise política da Bolívia esta mostrando a solidificação da Unasur – União dos
paises da América do Sul – criada em Brasília no dia 23 de maio de 2008. Esta união, se mostra
como um instrumento político cujos princípios básicos promovem o apoio aos regimes democráticos,
através do respeito à soberania, aos assuntos internos, inviolabilidade territorial e aos direitos humanos
no continente.
A crise da Bolívia pode ser entendida baixo sob dois prismas.
O primeiro é de natureza econômica, onde a região oposicionista ao Presidente Evo Morales procura obter
a independizacão econômica, via autonomia da tributação obtida pela exportação de
gás para Brasil e a Argentina, de modo a dispor de recursos financeiros importantes para lograr posteriormente um forte
poder político, principalmente na câmara dos deputados.
A outra vertente de analises é o político, o qual se mostra através do poder do presidente obtido recentemente
nas eleições, onde obtive 65% de aprovação do governo, o qual deu um poder adicional que não
tinha desde a eleição presidencial. As reformas estruturais nas áreas tributaria, agrária, social
e econômica tem gerado fortes crises de poder entre a oposição e as partidos governamentais, pois os recursos
que estão financiando estas reformas provenientes das receitas obtidas pela exportação do gás
das regiões produtoras. Alias, nestas regiões é onde esta principalmente localizada a oposição
política os governo.
No fundo, estamos observando que as mudanças na estrutura econômica estão provocando a crise política
atual do governo boliviano.
A questão que surge é: qual é a posição do exercito nesta situação? Até
agora tem apoiado as decisões do governo, mais se é criado uma ambiente de guerra civil, como a oposição
procura, qual será a atitude do exercito?
Frente a esta situação incerta, e antes que pudesse acontecer um levantamento de alguma unidade militar, o Presidente
Evo Morales buscou apoio internacional para sufocar esta possível situação, de modo de não deixar
espaço para uma situação desta. A UNASUR atuou rapidamente e mostrou que em 48 horas pode mobilizar os
Presidentes dos paises integrantes para tomar uma posição política de apoio ao Presidente boliviano,
a qual foi unânime e integral. Da mesma forma, deixa sem espaço político qualquer apoio internacional
que a oposição pudesse lograr. No entanto, os paises integrantes do UNASUR também não podem permitir
uma crise da Bolívia, pois criaria uma crise energética na região, principalmente no Brasil, Argentina
(depende do gás da Bolívia) e o Chile (depende do gás da Argentina).
Ainda tem um longo caminho para a integração regional, mais a UNASUR mostrou que a América Latina é
capaz de resolver seus problemas em forma soberana e com independência, como o demonstra a opinião da Presidenta
Bachelet: "UNASUR ha quedado más consolidado".
René Castro Berardi*, coordenador de Relações Internacionais Facinter/Uninter e presidente do Conselho
Academico do Centro de Relaçoes Internacionais do Paraná.
René Castro Berardi*, coordenador de R. Internacionais Facinter, para Rede Empresarial - 17/09/2008