eleições 2008
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou nesta semana mais um lote de candidatos com ficha suja.
Só para recordar. O primeiro lote continha nomes de candidatos a prefeito e vice-prefeito nas 26 capitais brasileiras.
Este segundo lote traz candidatos com ficha suja em 47 dos 53 municípios com mais de 200 mil eleitores. Nesses municípios,
a Constituição garante a possibilidade de realização de segundo turno.
E o que é que nos mostra este segundo lote?
Dos 401 candidatos pesquisados, 37 respondem a processos na Justiça (9,2% do total).
Os candidatos que compõem este segundo lote são réus em ações penais públicas e
de improbidade administrativa.
A iniciativa da Associação dos Magistrados Brasileiros vem se somar à de ONGs como a Transparência
Brasil, que vem realizando um trabalho de esclarecimento dos eleitores.
É uma iniciativa importante, porque, apesar da flagrante injustiça, sobrou para o eleitor a tarefa de tentar
barrar a eleição de muitos candidatos que se aproveitam das brechas do sistema para conquistar um cargo público
e escapar da Justiça.
O fato é que não se produziu até agora uma legislação que impeça essa gente de se
apoderar de um cargo eletivo.
Então, ficamos assim: o partido político se omite vergonhosamente e não recusa a candidatura de gente
com ficha suja.
A Justiça Eleitoral não impugna essas candidaturas, baseada na presunção da inocência.
A Justiça comum não pune, é lenta, aceita recurso sobre recurso. Até que o crime prescreve.
E cabe ao eleitor, solitariamente, barrar essa gente?
Não é justo. Não mesmo.
O sistema eleitoral brasileiro está tão distorcido, mas tão distorcido, que há muito tempo deixou
de reproduzir suas virtudes e está reproduzindo apenas os seus vícios.
Permissão de coligações em eleições proporcionais (vereadores), somada a um mecanismo perverso
de distribuição das sobras eleitorais leva o eleitor brasileiro a votar num candidato honestíssimo para
vereador, por exemplo... E contribuir para eleger um bandido.
Por isso, a iniciativa da AMB é muito meritória. Não se trata de condenar ninguém. Trata-se apenas
de dar ao eleitor acesso a informações que são públicas e que vão poder, quem sabe, ajudá-lo
a fazer escolhas mais consistentes.
Tomara!
Lúcia Hippolito, jornalista, blog Lúcia Hippolito - 05/09/2008