Consultor defende ‘independência’ das cidades
O consultor e analista político Augusto de Franco, que participou ativamente do Fórum Desenvolve Londrina neste ano, defende a ''independência'' das cidades no que se refere à melhoria das condições sócio-econômicas. ''Hoje são as cidades que estão na vanguarda e não os países. Não existe milagre para o desenvolvimento globalizado; a única solução possível é a local.''
Franco avalia que Londrina está no caminho certo ao optar por este tipo de trabalho como o fórum de desenvolvimento, mas alerta que ''não se pode parar no meio do caminho''. O que é preciso, segundo ele, é envolver mais pessoas no projeto. ''Quanto maior a rede, maior é a capacidade de influência que vamos ter.''
O consultor, que integrou o Comitê Executivo do Programa Comunidade Solidária no governo de Fernando Henrique, afirma que o erro do Estado é elaborar receitas para todas as localidades, sem considerar as diferenças entre elas. ''Cada cidade tem sua demanda e seu potencial.''
O desenvolvimento, para Franco, deve estar voltado para o ser humano porque o fato de um país crescer não é a mesma coisa que se desenvolver. ''O crescimento é bom, mas ele sozinho não produz desenvolvimento; se fosse assim, os países com os maiores PIBs seriam os mais desenvolvidos.'' Ele lembra que o Brasil, embora seja uma das maiores economias do mundo, é também um dos campeões em desigualdade social.
Franco mostra que a sociedade pode adotar três padrões diferentes de organização: o centralizado, o descentralizado (que é a centralização em segmentos ou pequenos grupos sociais) e o distribuido. Segundo ele, por uma questão de cultura, 99% da sociedade se organiza de forma hierárquica, o que cria muita dependência, burocracia e atraso nas relações. Mas analisa que a sociedade caminha para o padrão distribuido, através das redes sociais. ''Quanto mais pessoas conectadas na rede, mais parceiros você tem para realizar qualquer negócio e ter sucesso em seus empreendimentos.''
Por fim, ele critica o modelo de governo paternalista, afirmando que nenhum país do mundo se desenvolveu usando esta estratégia. ''Em contrapartida, eu não vi nenhum lugar do mundo onde este tipo de experiência (de participação social) tenha dado errado ou as pessoas tenham se arrependido.''
(Publicado em 15/12/2008)
A Rede de Participação Política, apartidária, prioriza o debate democrático, com respeito à divergência de idéias e liberdade de expressão.Para que todos tenham oportunidade de expor seus pontos de vista. dentro de princípios éticos, seguem algumas orientações: 1) Não será permitido nenhum tipo de campanha, seja partidária ou comercial; 2) Não serão tolerados textos com teor pornográfico ou que sejam ofensivos a qualquer participante; 3) Todos os textos serão de responsabilidade dos seus respectivos emitentes; 4) Os administradores do site têm autonomia para retirar do ar qualquer opinião que fuja do contexto ético e democrático do debate.
Envie para um amigo