REDE DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

14/01/2009

FOLHA DE LONDRINA - OPINIÃO

Em de­fe­sa do desenvolvimento localizado

Em de­fe­sa do desenvolvimento localizado

­País, re­gião e mu­ni­cí­pio pre­ci­sam des­co­brir os ­seus ­meios, for­ta­le­cen­do-se pa­ra en­fren­tar as cri­ses glo­bais

Se a globalização é uma realidade e cada vez mais os povos se tornam interdependentes - até pela avanço das comunicações, que fez do mundo realmente uma ''aldeia global'' - os municípios têm de cuidar de seu próprio desenvolvimento e ficar menos submissos aos favores do governo central, a não ser nos casos específicos. Cada país, região ou município (este especialmente) precisa descobrir os tesouros que possui e desenvolver-se segundo programas localizados.

Estas são avaliações do analista político Augusto de Franco, em entrevista à repórter Erika Gonçalves, deste jornal. Nada é mais verdadeiro de que o paternalismo é nocivo, porque cria o pensionismo de Estado, ou seja, a dependência dos poderes maiores. Que desta forma também se fortalecem politicamente e geram um nefasto poder de dominação e de barganha. Se a transferência de renda por via de ajuda aos pobres os beneficia, na continuidade os mantêm no atraso e na dependência.

Conforme diz sabiamente o analista entrevistado, isto mata o desenvolvimento da pessoa nessas condições, atrofiando-lhe a criatividade e o entusiasmo de caminhar pelas próprias pernas. Certo é que cada país não é uma ilha, e também não o são os municípios, mas só pelo desenvolvimento de cada comuna se fortalecerá o País como um todo, em sua estrutura instalada, e a nação se tornará próspera. Não há dúvida de que, mesmo num planeta já unificado por problemas e também por fórmulas de melhoria do bem-estar, cada núcleo resistirá melhor às crises se estiver localmente fortalecido. Vale para um país, como para um Estado, para uma região e para uma localidade. Augusto Franco afirma que o que faz um país integrado é a multiplicidade de perfis de cada região e as suas potencialidades desenvolvidas. Assim, cada lugar encontrará suas próprias respostas e reações diante de fenômenos que se alastram globalmente - os maus e também os bons.

Não se pode conceber que milhares de municípios brasileiros só se sustentem com o repasse de verbas federais, até porque carregam em si o pecado de haverem sido criados, quando buscaram irresponsavelmente desmembrar-se dos municípios-mães a que pertenciam. Assim, embora fundamentadas as afirmações do analista, torna-se mais difícil um município nessa condição desenvolver-se, se quase tudo o que arrecada vai para o próprio custo da estrutura pública instalada, para a administração e o empreguismo e para o abuso de gastos e a cota da corrupção.


 

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