'Ser honesto não é um predicado, é uma obrigação', diz presidente da Fiep
Presidente pelo segundo mandato consecutivo da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep),
Rodrigo da Rocha Loures é o fundador da Nutrimental, empresa responsável pelo lançamento no mercado de
um produto inédito no País, as barras de cereais.
Nesta entrevista, o presidente da Fiep fala da importância da Rede de Participação Política
do Empresariado - que ajudou a fundar - e do Guia do Voto Responsável 2008.
O Diário: Como o senhor vê a importância das eleições 2008?
Rodrigo da Rocha Loures: Devemos dedicar toda a atenção para a escolha de prefeitos e vereadores,
que são atores fundamentais para o desenvolvimento do município, que é onde tudo acontece. Se os eleitos
não tiverem compromisso com o desenvolvimento econômico e social, a cidade perde e os cidadãos perdem,
o País perde.
O Diário: Para escolher em quem votar, basta exigir a honestidade do candidato?
Rodrigo da Rocha Loures: Ser honesto não é um predicado, é uma obrigação.
Por isso, ao analisar em quem votar, é preciso saber se o candidato faz política com a ética, com a transparência,
defende a democracia e a promoção do desenvolvimento local. Devemos lembrar que alguns dos maiores malfeitores
da humanidade eram indivíduos pessoalmente honestos.
O Diário: Como a Rede de Participação Política pretende se inserir no processo
eleitoral?
Rodrigo da Rocha Loures: A Rede é um instrumento de conscientização política.
Temos um esforço concentrado em momentos eleitorais, mas o trabalho é continuado. Depois das eleições,
vamos incluir no Sistema de Monitoramento e Avaliação dos eleitos - que hoje inclui deputados federais, estaduais,
senadores, governador e presidente - os prefeitos e vereadores. Este processo é feito em parceria com a Universidade
Federal do Paraná.
O Diário: Quais compromissos o setor industrial espera dos candidatos a prefeito e vereador?
Rodrigo da Rocha Loures: Além dos compromissos com a ética na política e com a defesa
da democracia, esperamos que os candidatos a prefeito e vereador se comprometam - e assinem publicamente um documento neste
sentido - com uma agenda positiva que inclui a melhoria da qualidade da educação básica, com a gestão
transparente e participativa, com um programa de formação profissional e com a desburocratização.
O Diário: É possível falar em uma agenda positiva para escolher os candidatos?
Rodrigo da Rocha Loures: Sim. O eleitor não pode só ficar policiando o candidato. Isso é
necessário, mas insuficiente. É preciso avaliar se o candidato tem compromisso com uma agenda positiva. Se propõe
medidas concretas para o desenvolvimento da cidade. Precisamos chamar a atenção dos candidatos para o muito
que precisa ser feito e exigir seu compromisso com medidas estratégicas capazes de promover um salto no processo de
desenvolvimento dos municípios.