FOLHA DE LONDRINA (PR) - POLÍTICA
Tamanho da fonte : Aumentar +A | Diminuir -A

‘Melhoria na educação depende de envolvimento da sociedade’

Para Augusto de Franco, que participou ontem do lançamento do ‘‘Guia do Voto Reponsável’’, discursos políticos banalizam melhorias

O envolvimento da sociedade é fundamental para conectar o sistema educacional ao desenvolvimento econômico e social. O avanço da pré-escola, a premiação das melhores iniciativas e o estabelecimento de metas de desempenho representam o feijão com arroz que pode resgatar o Brasil das últimas colocações do ranking mundial da educação. Esta é, em suma, a visão do coordenador da Agência de Educação para o Desenvolvimento (AED), Augusto de Franco - que fez palestra ontem em Londrina durante o lançamento do Guia do voto responsável . A iniciativa, deflagrada pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) pretende, de um lado, qualificar o voto do eleitor, e de outro, pressionar os candidatos a aderirem a um plano mínimo de melhoria da educação e da infra-estrutura econômica. A Fiep pretende obter a adesão dos postulantes às maiores prefeituras do estado. A seguir, as principais declarações de Augusto de Franco à FOLHA:

Augusto de Franco - A educação não corre o risco de ser banalizada em meio a tantas promessas que são ouvidas atualmente?

FOLHA - Nós não estamos correndo o risco, nós já banalizamos. Há um mito de que a educação é a salvação universal do mundo, então é fácil falar. A educação, na verdade, tem que estar ligada ao desenvolvimento e à vida das cidades. Se fosse só a escola, Cuba e Bulgária teriam um grande desenvolvimento, e sabemos que não é assim. Nós precisamos de um grande movimento para aumentar a qualidade da educação, mas que não pode ser só escolarizante .

O que é necessário para transformar educação em desenvolvimento?
É exatamente essa a questão que precisamos atingir. Há um movimento mundial no qual estamos engajados que se chama Cidades pela educação , iniciado em 1990 em Barcelona. O que é isso? A educação das nossas crianças e jovens não é questão apenas do estado, mas de toda a sociedade. As principais ferramentas são: melhorar a qualidade da escola e dos professores.

O que a sociedade pode fazer?
Pode oferecer acompanhamento e reforço escolar no contra-turno. Isso tem quase 100% de êxito. Se numa cidade você mapeia as escolas e grupos de voluntários da própria sociedade civil, nós conseguimos dar um salto. No Paraná isso significa que as cidades podem atingir em 2010 a nota 6 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - meta prevista para 2022 em todo o país. Ou a sociedade entra nisso, ou não adianta. Em todos os lugares que chegaram a esse salto, não foi em razão só do governo. Por que nossos alunos não vão bem? Porque em casa, muitas vezes, os pais não tem interesse ou nível cultural para acompanhar (os estudos).

Nas campanhas eleitorais, as promessas de melhorias salariais se multiplicam...
Não é só aumentar o salário do professor. Essa é uma reivindicação correta, porém um pouco corporativa. Não vai adiantar nunca, porque não podemos aumentar demais. Se aumentar um pouquinho, o professor vai ter mais um pouquinho de gasto. Isso não vai significar quase nada na melhoria do ensino. Precisamos de coisas básicas: colocar todas as crianças na pré-escola e garantir que toda criança da 2 série saiba ler e escrever. Se conseguir isso, mais a nota 6 no Ideb, o resto vai. O nosso problema está na base da educação.

E a escola integral, que também é cantada por candidatos como solução mágica da educação?
Não existe uma fórmula milagrosa. Com certeza, a universalização da pré-escola é muito mais vantajosa que o ensino integral a partir da 1 série. A pré-escola mexe com o ensino na idade em que as crianças estão formando a condição biológica de aprender. É naquela idade que está sendo definido o destino dela. Depois dessa fase, tudo é muito mais complicado do ponto de vista do desenvolvimento cerebral. Por exemplo, o ensino de uma língua estrangeira aos cinco anos é muito mais rápido do que aos nove anos. Então, não tem uma ou outra medida que pode nos salvar, temos é que fazer o feijão com arroz em todas as áreas.

Fábio Cavazotti
Reportagem Local

 

Voltar       Versão para impressão
Envie a notícia por email
Seu nome:
Seu email:
Enviar para:
Email:
Comentário:
Enquete

Projeto de autoria do Governo estadual altera a alíquota do ICMS no Paraná. O texto reduz de 18% para 12% o percentual do imposto de 95 mil itens e aumenta em 2% a alíquota da energia, telecomunicações, gasolina, bebidas e cigarros. Qual a sua posição?


Contra

A favor






Orientações

A Rede Empresarial, apartidária, prioriza o debate democrático, com respeito à divergência de idéias e liberdade de expressão.

Para que todos tenham oportunidade de expor seus pontos de vista. dentro de princípios éticos, seguem algumas orientações:

1) Não será permitido nenhum tipo de campanha, seja partidária ou comercial;

2) Não serão tolerados textos com teor pornográfico ou que sejam ofensivos a qualquer participante;

3) Todos os textos serão de responsabilidade dos seus respectivos emitentes;

4) Os administradores do site têm autonomia para retirar do ar qualquer opinião que fuja do contexto ético e democrático do debate.

 

 

 

:: REDE DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DO EMPRESARIADO ::
Av. Comendador Franco, 1341 | Jardim Botânico | 80.215-090 | Curitiba | Paraná | Fone (41) 3271-7500 | Fax (41) 3271-7853 | rede.empresarial@fiepr.org.br