Candidato mais votado em Curitiba com 17 mil votos pode não cumprir mandato se for condenado por crime ocorrido
em 1999
Curitiba - O vereador eleito com maior número de votos à Câmara de Curitiba, Roberto Aciolli (PV), pode
não cumprir seu mandato. Aciolli, que recebeu o apoio de mais de 17 mil eleitores nas últimas eleições,
foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MP) por homicídio qualificado praticado por motivo banal
e, se considerado culpado, pode ter pena que vai de 12 a 30 anos de prisão. Em entrevista coletiva, nesta quinta-feira(9),
o vereador alegou que agiu em legítima defesa.
A denúncia do crime foi feita pelo MP em agosto deste ano, mas só veio a público nesta semana. De acordo
com o promotor responsável pela denúncia, Marcelo Balzer Correia, o crime teria ocorrido em 1º de dezembro
de 1999. Ele conta que, segundo o processo, Aciolli teria perseguido e atirado contra Paulo César Heider, após
suspeitar que ele teria roubado a loja de celulares que pertencia à mulher dele.
Para o promotor, a hipotése alegada pelo vereador eleito - de que teria agido em legítima defesa - seria duvidosa.
Correia destaca que circunstâncias como o fato de Aciolli ter saído armado e perseguido a vítima precisam
ser melhor esclarecidas em juízo. No entanto, ele esclarece que o fato da denúncia ter sido apresentada não
significa culpa. ''Durante o processo judicial a versão de Aciolli pode ou não ser confirmada'', disse.
Nesta quinta, em entrevista coletiva, Aciolli e seu advogado, Nilton Ribeiro de Souza, alegaram legítima defesa. Segundo
contou Souza, o crime aconteceu depois que a loja de Aciolli havia sido roubada quatro vezes pelo mesmo assaltante. Aciolli
sempre teria registrado as ocorrências na Polícia, mas estaria cansado da ineficiência policial e teria
iniciado uma espécie de investigação paralela.
Segundo o advogado, mais ou menos uma semana após o último assalto, Aciolli teria sido informado de que que
o assaltante tentava vender os celulares e iria pegar um táxi. O vereador eleito decidiu então interceptar o
carro. Segundo ele, Heider teria descido do veículo drogado e tentado agredi-lo. Durante o confronto, Aciolli diz ter
atirado acidentalmente, matando o rapaz.
De acordo com o advogado, logo após o crime, Aciolli compareceu à delegacia e entregou a arma, cumprindo todas
as obrigações com o processo desde então. Ele afirmou ainda que causa estranheza a denúncia vir
à tona poucos dias depois da eleição e levantou suspeitas dizendo que a votação expressiva
de seu cliente pode ter ''machucado alguém'', sem mencionar nomes.
A denúncia tramita agora na 1 Vara do Tribunal do Júri, onde após ouvir a defesa de Aciolli, o juiz responsável,
Daniel Ribeiro Surdi de Avelar, deve decidir se o vereador eleito enfrenta ou não um julgamento com júri popular.
FONTE: Folha de Londrina (Karla Losse Mendes)