Tarso diz que se excluiu da disputa ao dizer que, sendo do governo, deve 'respeitar a escolha do presidente'
BRASÍLIA - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva , vai defender junto ao PT a indicação
da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff , para representar a legenda nas eleições presidenciais de 2010.
A afirmação foi feita nesta quinta-feira, 9, pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, em entrevista
exclusiva à Agência Brasil.
Após passar por quatro ministérios no governo Lula, ele se excluiu da disputa ao dizer que como membro do governo,
"subordinado politicamente", deve "respeitar a escolha do presidente". E reconheceu que essa escolha é
"visível". "É a ministra Dilma".
Tarso também fez uma análise dos possíveis reflexos da atual crise econômica para o governo e para
o País. Ressaltou que as alternativas de desenvolvimento econômico criadas pelo governo não serão
desconstituídas, criticou a herança recebida do governo Fernando Henrique Cardoso e informou que a estrutura
de combate à lavagem de dinheiro redobrará atenções.
O ministro retrucou as afirmações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, de que o Brasil
vive um "estado policialesco". Segundo ele, a preocupação é legítima, mas o funcionamento
das instituições do país mostra que estado policial seria, enquanto conceito, algo sem relação
com a realidade.
As investigações contra o banqueiro Daniel Dantas são definidas por Tarso como dignas "de um estudo
profundo da academia, dos experts em teoria do estado e funcionamento das instituições", pela complexidade
das relações políticas mantidas pelo investigado.
O ministro também saiu em defesa da Polícia Federal, apesar de reconhecer suas divisões internas. "Duvido
que a PF tenha mais grupos do que tem o Judiciário ou o Ministério Público, por exemplo. A PF é
uma polícia estabilizada, com direção legitimada, que tem, sim, algumas divisões internas a respeito
da própria função da instituição, inclusive se ela deve ou não passar informações
sigilosas para a imprensa".
Leia o trecho da entrevista sobre as eleições municipais e a sucessão presidencial.
Agência Brasil: Que leitura o senhor faz das eleições municipais como ministro e como político?
Tarso Genro: Como ministro, recebi um relatório da PF, e salvo algumas regiões com instabilidade
mais grave e mais séria, as eleições transcorreram num ambiente excepcional. A Justiça Eleitoral
está de parabéns e a PF sempre esteve disponível, inclusive estará instalando um série
de inquéritos para investigar e punir pessoas que tiveram comportamento ilegal. Como dirigente partidário, minha
visão é de que o PT saiu fortalecido nas grandes regiões metropolitanas e aumentou em aproximadamente
30% o número de prefeitos, o que reforça a continuidade do projeto representado pelo presidente Lula.
ABr: O PT tem divergências internas conhecidas. O partido chegará a 2010 unido e poderá
oferecer à sociedade outros candidatos em condição de vencer a eleição que não o
presidente Lula? Muitos analistas consideram que o pós-Lula seria de falta de alternativas nacionais no partido.
Tarso: São os mesmos analistas que diziam que o PT tinha terminado, que o presidente Lula era incapaz
de governar, que viam a globalização como virtude absoluta a ser recebida de joelhos. O PT está amadurecendo,
melhorando seu nível de unidade e não chegará absolutamente unificado em lugar nenhum, porque é
um partido plural e tem, dentro de marcos programáticos, diferenças de inflexão sobre várias matérias.
Mas chegará suficientemente forte para promover uma coalizão de centro-esquerda e dar continuidade ao trabalho
do presidente.
ABr: O nome do senhor está à disposição?
Tarso: Para presidente da República, não. Tenho uma avaliação, por uma série
de sinais, que o presidente já fez uma escolha, que vai propor ao partido. E eu, como membro do governo e subordinado
politicamente ao presidente, devo respeitar a escolha dele. E acho que é uma escolha boa, que tem condições
de ser acolhida pelo partido e fazer uma grande campanha.
ABr: Ele já lhe falou quem foi a escolha?
Tarso: Ela é visível. É a ministra Dilma.
FONTE: Agência Brasil