Concorreram nas eleições deste ano 272 candidatos com pendências judiciais ou na prestação
de contas
Os paranaenses elegeram no último domingo 55 candidatos com “ficha suja” – aqueles que respondem
a processos na Justiça, que já foram condenados em alguma instância judicial ou que tiveram as contas
rejeitadas pelo Tribunal de Contas ou pelas Câmaras Municipais quando eram administradores públicos.
Entre os fichas-sujas eleitos estão 16 prefeitos, 3 vice-prefeitos e 36 vereadores – todos com pendências
judiciais. Além destes, também passou para o segundo turno outro ficha-suja paranaense: Antonio Belinati, que
concorre à prefeitura de Londrina.
Elegeram-se ainda 13 candidatos que tiveram sua candidatura questionada pelo Ministério Público Estadual (MP)
devido a problemas referentes ao registro eleitoral (veja quadro ao lado).
A iniciativa de revelar quem eram os fichas-sujas foi do MP, que dois meses antes da eleição divulgou a listagem
com as 390 candidaturas que foram questionadas no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (dos quais 272 fichas-sujas
e o restante com problemas no registro eleitoral). Para o MP, esses candidatos não poderiam concorrer nas eleições.
Mas a decisão final coube à Justiça Eleitoral, que foi orientada pelo Supremo Tribunal Federal (STF)
a não barrar a candidatura dos fichas-sujas. Segundo o MP, só a condenação judicial em última
instância poderia resultar na inegibilidade.
Motivos
O procurador de Justiça Bruno Sérgio Galatti, que coordena o Centro de Apoio Operacional das Promotorias Eleitorais,
acha que o resultado não diz muita coisa. “É difícil avaliar (sobre a eleição dos
fichas-sujas). O motivo pelo qual um político ficha-suja foi eleito numa cidade pode ser completamente diferente numa
outra região. São questões locais. E a gravidade dos casos também deve ser levada em conta”,
opinou.
Galatti não soube mensurar o peso que a lista dos fichas-sujas teve para o eleitor no momento do voto, mas disse acreditar
que contribuiu em casos emblemáticos como o dos candidatos à prefeito de Londrina e Ponta Grossa, Antonio Belinati
(PP) e Jocelito Canto (PTB), respectivamente. “Nestes casos, houve uma diminuição do votos. Isso é
significativo”, analisou Galatti.
“Foi um avanço, mas é preciso ir além. A reforma política é o objetivo maior para
resolver o processo democrático. A minha conclusão sobre esta eleição é que a sociedade
se envolveu mais e aprimorou a consciência na hora do voto”, concluiu Galatti.
Na avaliação do cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB), o fato
de o candidato ter o nome na lista dos fichas-sujas pode ter tido alguma influência no voto do eleitor. “São
muitos os fatores que pesam na hora do voto e ter o nome na lista pode ter sido determinante”, disse.
FONTE: Gazeta do Povo (Karlos Kohbach e Caroline Olinda)