Candidatura do paranaense abre uma disputa interna no PMDB, que deve comandar a Casa no biênio 2009-2010
Brasília - O deputado federal paranaense Osmar Serraglio (PMDB) anunciou na quarta-feira(3) que será candidato
à presidência da Câmara para o biênio 2009-2010. A decisão abre uma guerra interna no partido
a seis meses da eleição. Outros dois peemedebistas já declararam interesse em disputar o cargo, o paulista
Michel Temer e a capixaba Rita Camata.
O PMDB tem um acordo formal com o PT desde o início da atual legislatura, no qual ambos se comprometem a fazer um revezamento
no comando do Congresso Nacional. O trato é que o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), seja substituído
por um petista e que o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), por um peemedebista. As eleições
para as duas Casas ocorrem de dois em dois anos.
Presidente nacional da legenda, Temer costurou a negociação e despontou como uma suposta alternativa de consenso
entre a base governista. A falta de discussão interna sobre a escolha do candidato foi um dos motivos para que Serraglio
optasse pela candidatura. Ele enviou uma carta aos 95 deputados da legenda na qual critica “arranjos” para beneficiar
o paulista. “Esperteza, quando é demais, pode engolir o dono”, escreveu, parafraseando Tancredo Neves.
A revolta do paranaense aumentou com o anúncio de que a escolha do candidato do partido ocorreria em uma reunião
marcada para o próximo dia 8 de outubro – cinco meses antes da eleição em plenário, na qual
os 513 deputados têm direito a voto. “Se for desse jeito, tão cedo e com tudo armado, vou disputar a eleição
como candidato avulso. Vamos ver o que a maioria decide”, disse.
Pelo regimento da Câmara, qualquer parlamentar pode se candidatar, mesmo sem o aval do partido. Serraglio já
fez isso em fevereiro de 2007, quando foi eleito primeiro-secretário – segundo cargo mais importante da mesa
diretora. Ele venceu no segundo turno o nome indicado pelo PMDB, Wilson Santiago (PB).
Temer não demonstrou surpresa com a notícia da candidatura do colega, porém garantiu que tem o apoio
da maioria da legenda. “Tenho apreço pelo Serraglio, mas a lista em que meu nome aparece inscrito como candidato
do partido já tem 88 assinaturas”, comentou. Segundo ele, a campanha não é prematura e a atitude
de Serraglio só ocorreu porque quase todos os deputados peemedebistas estão decididos a apoiá-lo.
O paranaense admite que tem poucas chances de vencer Temer em uma disputa intra-partidária. Sete deputados do PMDB
são do Paraná, mas nem todos ficarão do lado do conterrâneo. “É uma disputa entre
currículos desiguais, o Temer é um carro da Fórmula-1 e o Serraglio é um Stock-Car”, comparou
Max Rosenmann.
Serraglio será o segundo candidato paranaense na história a participar do pleito. O outro foi Gustavo Fruet
(PSDB), em 2007. O tucano ficou em terceiro lugar, com 98 votos – Chinaglia e Aldo Rebello (PCdoB) foram para o segundo
turno.
Ambos ganharam visibilidade como relator e sub-relator da CPI dos Correios, em 2006, que desencadeou o escândalo do
mensalão. “Ele terá o meu apoio. Haverá dificuldades, mas a eleição na Câmara
é um processo incontrolável”, afirmou Fruet.
A briga entre dois candidatos do PMDB pode provocar uma reedição da eleição de Severino Cavalcanti
(PP-PE), que aproveitou-se do embate entre os petistas João Paulo Cunha e Luiz Eduardo Greenhalgh em 2005. Severino
assumiu e renunciou logo depois, pressionado pela denúncia de que cobrava propina do responsável pelos restaurantes
da Câmara. Desta vez, quem corre por fora é Ciro Nogueira (PP-PI).
FONTE: Gazeta do Povo (André Gonçalves, correspondente)