Expressão não faz mais parte da proposta de reforma política que deve ser apresentada nesta
quarta à Câmara
O governo retirou a expressão "mercado partidário" da proposta de reforma política do Executivo
e que será apresentada nesta quarta-feira(27) ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), pelos
ministros Tarso Genro (Justiça) e José Múcio (Relações Institucionais).
Na página quatro do texto original, divulgado pela Folha no sábado, o documento registrava que, com as normas
vigentes, há "incentivo ao "mercado partidário" para manutenção das bases de coalizão
e, considerando-se a falta de coesão interna dos partidos, desvirtuamento para um verdadeiro "mercado de votos"
no Parlamento -fidelidade ao governo baseada, em muitos casos, em um modelo de trocas calcado no binômio liberação/
não liberação de recursos para emendas parlamentares ou nomeação/não nomeação
de indicados do parlamentar (ou de seu partido) para determinados cargos da administração".
O termo gerou críticas de congressistas da base aliada e da oposição. A explicação oficial
é que a exclusão ocorreu na revisão final do documento, antes da entrega a Chinaglia.
À Folha Múcio disse que está mais preocupado com a forma de tramitação da reforma do que
com o conteúdo. O que ele tem por certo é que será uma reforma em fatias, com medidas de curto, médio
e longo prazos votadas separadamente. "O governo vai participar como coadjuvante do Legislativo. O modelo será
aquele que sair da discussão com o Congresso", disse Múcio, para quem 2009 é ideal para debater
a reforma por não ter eleição.
Nesta terça, em Gramado (RS), o presidente Lula defendeu o financiamento público de campanha, para os políticos
não "viverem correndo atrás de empresários". Segundo Lula, a "conta" é cobrada
depois da eleição. "O Brasil precisa fazer uma reforma política para dar legitimidade aos partidos
políticos e [para] que acabe com essa história dos políticos viverem correndo atrás dos empresários
para financiar campanha e depois terem que pagar a conta", discursou o presidente.
Lula disse que a tarefa de fazer a reforma política é do Congresso Nacional e dos partidos, não do Executivo.
FONTE: Folha de S.Paulo (Andréa Michael)