Pedido de demissão foi feito na manhã desta segunda ao ministro da Educação.
Fagundes Neto teria usado o cartão corporativo para pagar despesas pessoais.
Denúncias de irregularidades levaram o reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ulysses Fagundes
Neto, a deixar o cargo. O pedido de demissão foi feito na manhã desta segunda-feira (25) ao ministro da Educação,
Fernando Haddad.
Ele é acusado de ter feito viagens internacionais não autorizadas. Ulysses Neto teria usado o cartão
corporativo para pagar despesas pessoais, como compra de barbeador e escova de cabelo por R$ 300, além de hospedagens
em hotéis de luxo na Europa. Entre 2006 e 2007 foram, ao todo, treze viagens para fora do Brasil.
O Tribunal de Contas da União constatou que os gastos ilegais chegaram a quase R$ 230 mil, por meio de um relatório
de 58 páginas. O reitor diz que reembolsou à universidade os gastos considerados pessoais.
O Ministério da Educação (MEC) divulgou nota na qual confirma o pedido de demissão de Fagundes
Neto. Segundo o documento, o vice-reitor Sérgio Tufik passa a responder interinamente e tem 60 dias para realizar o
processo de escolha do novo reitor.
"O Ministério da Educação espera que no tempo regimental a instituição informe o nome
do novo dirigente, de acordo com os princípios da autonomia universitária", afirma a nota.
A Unifesp informou que desconhece o relatório e que todas as viagens internacionais de Fagundes Neto foram de interesse
da universidade. O Conselho Universitário ainda vai decidir se convoca uma nova eleição ou se passa o
cargo para o vice-reitor.
Reitor da UnB também renunciou
Este ano, o então reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, também renunciou por
suspeitas de irregularidades com o uso do dinheiro público. Em abril, sob protestos de estudantes, o gestor comunicou
a renúncia ao ministro da Educação.
Mulholland estava sob pressão desde que a relação entre a universidade e a Fundação de
Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), ligada à UnB, foi questionada pelo Ministério
Público do Distrito Federal (MPDF).
O MPDF acusou a Finatec de ter financiado, com recursos públicos, a reforma de um apartamento funcional, até
então usado por Mulholland, bem como a compra de móveis e utensílios domésticos. O valor do gasto:
R$ 470 mil, segundo o MPDF - sendo R$ 1 mil para uma lixeira. A UnB diz que o gasto não ultrapassou os R$ 350 mil.
FONTE: G1