O grupo de trabalho que estuda alterações na legislação para dificultar o ingresso ou continuação
na política de pessoas com ficha suja na Justiça vai atuar em três frentes. Na quarta-feira (2), a Comissão
de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) deve votar projeto de lei que altera a Lei de Inelegibilidades,
proibindo candidaturas de quem for condenado já em primeira instância.
PROJETO CONTRA 'FICHAS SUJAS É BARRADO
O relator do grupo de trabalho da CCJ que trabalha nessa questão Demóstenes Torres (DEM-GO), informou que será
apresentada uma proposta de emenda à Constituição (PEC) segundo a qual só poderão ingressar
na vida político-partidária pessoas com "reputação ilibada e idoneidade moral". O senador
disse que o grupo pretende também discutir a apresentação de um projeto para alterar a Lei Orgânica
dos Partidos. Segundo ele, o objetivo é estabelecer uma série de exigências para ingresso de uma pessoa
em qualquer partido político.
"A minha proposta, que ainda não foi discutida com os senadores do grupo de trabalho, é obrigar os partidos
políticas a estabelecer critérios para exigir que façam uma seleção de seus quadros. Caso
contrário, [os partidos] estarão sujeitos a penalidades como perda de horário gratuito no rádio
e na televisão e de recursos do Fundo Partidário", afirmou o parlamentar.
Ele informou que já estão prontos os textos da proposta que altera a Lei de Inelegibilidades e da PEC sobre
a entrada nos partidos políticos. Resta agora concluir o processo burocrático de unificar as matérias
que tramitam no Senado, o que deve ser feito terça-feira (1º).
Apesar da pressa em entregar essas matérias para a apreciação dos senadores e deputados, o senador admite
a dificuldade de convencer parte dos colegas, especialmente da Câmara.
Perguntado se acredita em aprovação rápida, pela Câmara e pelo Senado, da proibição
de candidatos condenados em primeira instância concorrerem s eleições de outubro, o senador respondeu:
"Se houver boa vontade do presidente da República, dos presidentes do Senado e da Câmara, além de
todos os líderes partidários, pode ser até que passe".
Além de Demóstenes Torres, integram o grupo de trabalho da Comissão de Constituição e Justiça
os senadores Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE), ambos do PMDB, e Tasso Jereissati (PSDB-CE).
FONTE: Agência Brasil