Envie para seus amigos

Verifique os campos abaixo!






Comunicar Erro

Verifique os campos abaixo!




13/04/2012

Indústria Farmacêutica

1. Introdução
A Cadeia Farmacêutica envolve a fabricação de substâncias químicas farmacologicamente ativas, obtidas por síntese química, utilizadas na preparação de medicamentos. Estes podem ser obtidos pela extração de farmoquímicos de origem vegetal, animal e biotecnológica. Esta Cadeia é bastante ampla, compreendendo a fabricação de especialidades farmacêuticas (alopáticas e homeopáticas) inseridas nas seguintes classes terapêuticas: medicamentos sistêmicos específicos, agentes hematológicos, medicamentos dermatológicos, hormônios, medicamentos anti-infecciosos e soluções hospitalares. Além disso, a Cadeia Farmacêutica compõe a produção de soros e vacinas; contraceptivos; medicamentos fitoterápicos; a transformação do sangue e a fabricação de seus derivados; fabricação de açúcares quimicamente puros; preparações farmacêuticas e intermediárias para a produção de farmoquímicos; o processamento de glândulas; e a fabricação de seus extratos; fabricação de kits e preparações para diagnósticos médicos; curativos, bandagens, algodão, gazes, impregnados com qualquer substância; a fabricação de medicamentos que não tenham o caráter de especialidades, tais como: água oxigenada, tintura de iodo. No que se refere à saúde veterinária, também são produzidas especialidades farmacêuticas (alopáticas e homeopáticas) destinadas ao setor, fabricação de vacinas veterinárias e antiparasitárias.



2. Caracterização Técnica da Cadeia
Por se tratar de uma Cadeia Produtiva bastante complexa, pela disponibilidade de dados e maior volume de vendas no Brasil, inicialmente, será analisado o segmento Fabricação de Especialidade Farmacêutica Alopática. Informações sobre o mercado e a produção de vacinas, hemoderivados, kits para diagnósticos, fitoterápicos e homeopáticos estão sendo construídos.

A produção de qualquer medicamento depende da produção de fármacos, pois são neles em que o princípio ativo do medicamento, (responsável pela ação terapêutica no organismo) está inserido. Além do fármaco, um medicamento é composto por excipientes, os quais são substâncias farmacologicamente inativas, usadas como veículo para o princípio ativo. Os excipientes garantem a eficácia dos fármacos, pois fazem com que estes tenham sua formulação fixada e processada pelo organismo.

Os fármacos geralmente são desenvolvidos no país sede das multinacionais e fabricados em grande escala nas unidades produtivas da empresa espalhadas no mundo. No Brasil, as importações de fármacos representam quase 90% do que é necessário pela Indústria Farmacêutica. Os principais fornecedores de fármacos são Alemanha, China e Estados Unidos, os quais juntos somam mais de 48% das importações brasileiras. As importações com Estados Unidos, Alemanha, Suíça e França são concentradas em produtos de elevado valor agregado e com maior tecnologia agregada ao produto; enquanto que as operações realizadas com China e Índia são importações realizadas pelos fabricantes nacionais e concentradas em produtos com menor valor tecnológico. Os fármacos produzidos no Brasil se abastecem da indústria química brasileira (química fina), onde a indústria farmacêutica é responsável por 14% de sua produção.

O desenvolvimento de um fármaco requer milhões ou bilhões de dólares em investimentos pelo laboratório farmacêutico responsável, distribuídos em anos de pesquisas para a conclusão do trabalho. Logo, o setor é marcado por grande número de patentes registradas visando à proteção dos laboratórios que lançam medicamentos inovadores. Essa proteção estende-se por 20 anos a partir do registro do produto (no final dos testes pré-clínicos). Como muitos produtos passam por até 10 anos no processo de teste clínico e aprovação governamental, a patente acaba protegendo o produto durante os primeiros 10 anos de vida comercial, ou pouco mais. Após esse período, os produtos podem ser livremente copiados, mesmo nos países que reconheceram suas patentes, originando uma crescente concorrência de laboratórios que oferecem produtos genéricos ou similares a preços menores. Isso mantém as empresas líderes sob contínua pressão para descobrir drogas melhores que as existentes ou capazes de solucionar problemas antes intratáveis. Os medicamentos genéricos são aqueles que contêm o mesmo princípio ativo, dosagem, forma farmacêutica, indicação terapêutica e administração do medicamento de referência. Estes medicamentos passam obrigatoriamente por testes de bioequivalência aplicados pela ANVISA para comprovação de sua qualidade. Os genéricos são produtos que tiveram sua patente expirada e que passaram a ser fabricados por outros produtores. No Brasil, os medicamentos genéricos começaram a ser produzidos a partir de 1999 e hoje são responsáveis por 14% das vendas internas (em unidades) e 11% em valor. Nos Estados Unidos, os genéricos existem há 20 anos e a sua participação é de 35% das vendas internas. As quatro principais indústrias de genéricos no Brasil são de capital nacional e representam  75% das vendas internas. Os 25% restantes são de empresas estrangeiras, as quais se subdividem em: capital indiano (10,3%), alemão (4,7%), suíço (4,6%), norte-americano (3,8%) e canadense (2%). Quanto aos medicamentos similares, estes possuem o mesmo fármaco, igual concentração e forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação farmacêutica do medicamento de referência. Entretanto, eles não possuem bioequivalência com o medicamento de referência comprovada.

Os medicamentos são ainda classificados em produtos éticos e não éticos. Os éticos são aqueles medicamentos vendidos por meio de receita médica, que tem sua propaganda e promoções dirigidas fundamentalmente aos profissionais da área da saúde, por meio de publicações especializadas e eventos, em decorrência das restrições do uso dos tradicionais meios de propaganda de massa determinadas pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). E os produtos não éticos são aqueles que dispensam receita médica para serem comercializados (venda livre) e por isso podem ser anunciados em meios de comunicação de massa. Os segmentos de analgésicos, antigripais, antiácidos, dermatológicos e vitaminas são os principais grupos de produtos não-éticos, cujas vendas estão atreladas à automedicação.

Entre os principais custos de produção de medicamentos estão: farmoquímicos (matéria-prima), embalagens, logística de distribuição, propaganda e mão-de-obra (15% do custo total). O setor é oligopolizado em termos mundiais, pois 9 empresas controlam 40% do mercado; e as 15 maiores empresas respondem por mais de 53% do mercado mundial. Apesar do grande número de laboratórios, o setor é bastante concentrado, já que os laboratórios estrangeiros respondem por 55% das vendas. No Brasil, os fármacos produzidos estão concentrados na região Sudeste, que detém 59% dos estabelecimentos, principalmente no estado de São Paulo. As exportações respondem por quase 7% do faturamento da indústria farmacêutica, número que vem crescendo nos últimos anos. Os principais destinos das vendas externas estão na América Latina, com destaque para Venezuela (14,2%) e Argentina (13,8%). As exportações de fármacos (exportações in company) representam 61% da produção interna, com vários destinos (com destaque para Estados Unidos e Argentina). No mercado interno, cerca de 75% das vendas da indústria são realizadas para distribuidores de medicamentos.

Sucintamente, pode-se dizer que a Indústria Farmacêutica é classificada como de alto risco por se tratar de um setor altamente dependente de renda e emprego; risco cambial em função da forte dependência de importações de fármacos; maior concorrência a partir da introdução dos remédios genéricos; a elevada necessidade de investimentos em P&D; elevados gastos com publicidade (principalmente à voltada para médicos); grande interferência governamental no que se refere ao controle de preços; controle de qualidade de medicamentos; barreira à entrada de novas empresas (licença da ANVISA) e consumo de medicamentos por meio de programas do Ministério da Saúde; setor regulamentado em todo o mundo, sofrendo fortes pressões internacionais.

Fonte: Departamento Econômico Bradesco (2009); Febrafarma (2010) e Pró-genéricos (2010).


2.1 Atores
São os estabelecimentos industriais que fabricam:

Produtos Farmoquímicos (CNAE 2110-6); Medicamentos para Uso Humano (CNAE 2121-1); Medicamentos para Uso Veterinário (CNAE 2122-0); Preparações Farmacêuticas (CNAE2123-8); Fabricação de Produtos Químicos Orgânicos não Especificados Anteriormente (CNAE 2029-1/00).  

Fiep   Federação das Indústrias do Estado do Paraná   Direitos Reservados
Av. Cândido de Abreu, 200   Centro Cívico   80530-902   Curitiba   PR