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18/04/2012

Exportadores tiram da gaveta projetos bilionários

Depois de cancelarem planos por causa da crise, exportadores planejam investimento recorde de US$ 122 bilhões, revela BNDES

Depois de cancelarem planos por causa da crise, exportadores planejam investimento recorde de US$ 122 bilhões, revela BNDES

Raquel Landim



Os setores exportadores estão desengavetando seus projetos bilionários de investimento. Mineradoras, siderúrgicas e fabricantes de papel e celulose vão gastar US$ 122 bilhões entre 2010 e 2013 para ampliar a produção, revela estudo inédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O valor está 50% acima dos US$ 81 bilhões que, em agosto de 2009, essas empresas previam investir entre 2009 e 2012. A crise global levou setores que exportam a maior parte da produção a adiar e até cancelar projetos de investimentos, que somavam o recorde de US$ 145 bilhões em agosto de 2008.

O Brasil se recuperou rápido da turbulência. No terceiro trimestre de 2009, empresas focadas no mercado interno voltavam a investir, mas as perspectivas eram negativas fora do País. Ainda persistem dúvidas, principalmente na Europa, mas o inicio da recuperação, puxada pelos países emergentes, garantiu fôlego novo aos exportadores.

"Na crise, exportadores reduziram a produção e chegaram a investir menos que o necessário para manter a fábrica funcionando bem. A ordem era fazer caixa para não depender de crédito", diz o chefe do departamento econômico do BNDES, Fernando Puga. "Em meados de 2009, retomaram a produção. Este ano, todos os investimentos estão voltando com força."

Preços em alta. O apetite da China sustenta os preços das commodities exportadas pelo Brasil. Os preços do minério de ferro foram reajustados em 100% - algo impensável poucos meses atrás. A tonelada de celulose chegou a US$ 770 em abril, bem acima dos US$ 540 de agosto de 2009, embora abaixo dos US$ 840 de antes da crise.

A Vale anunciou que vai investir US$ 12,9 bilhões este ano, o maior valor entre as mineradoras internacionais. A empresa tinha sido duramente atingida pela crise: reduziu os investimentos previstos para 2009 de US$ 14,2 bilhões para US$ 9 bilhões.

Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), os investimentos totais do setor, entre 2010 e 2014, chegarão a US$ 54 bilhões. No auge da crise, a previsão era de US$ 47 bilhões. "Antes acreditávamos que só retomaríamos o patamar pré-crise em 2012. Agora vai ocorrer em 2011", disse o presidente do Ibram, Paulo Camilo.

A Samarco planeja construir uma nova usina de pelotização de minério, orçada em R$ 5 bilhões. Se tudo correr bem, as obras começam em dezembro. "Estamos trabalhando forte na retomada dos investimentos", disse o diretor de desenvolvimento e planejamento, Paulo Rabelo. Quando a crise atingiu os mercados, a empresa chegou a parar plantas industriais.

Triplicou. O estudo do BNDES aponta que as perspectivas de investimento duplicaram no setor siderúrgico e triplicaram nas fábricas de papel e celulose desde a crise. As siderúrgicas vão aumentar a produção das atuais 42 milhões de toneladas para 77 milhões de toneladas até 2016, conforme o Instituto Aço Brasil.

"Boa parte desse volume é para exportação", disse Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo. As siderúrgicas desligaram seis dos 14 alto-fornos na crise. Hoje a produção está quase normalizada, graças à retomada do mercado interno.

Mesmo em setores exportadores, o desempenho do Brasil foi fundamental para a retomada dos investimentos. "As vendas internas absorveram uma parte do que era exportado. Agora, para voltar a exportar, as empresas têm de produzir mais", diz Fábio Silveira, economista da RC Consultores. "Somadas, as demandas doméstica e externa já são maiores que antes da crise."

É o caso da fabricante de embalagens e papel Klabin. "Saímos da crise com a demanda maior que a capacidade de produção", disse o diretor-geral Reinoldo Poernbacher. O volume vendido no primeiro trimestre superou em 20% o primeiro trimestre de 2008, antes da crise. A Klabin pode se dar ao luxo de escolher clientes. "O mercado que estamos dando menos atenção é a Europa. Os destaques são China e América Latina."

A Klabin elevou em 10% a oferta de papelão ondulado e de sacos industriais com investimentos não previstos no orçamento, e está em vias de aprovar a compra de uma máquina para incrementar a produção de cartão para embalagem em 400 mil toneladas. "É só nisso que pensamos de hora em hora", disse Poernbacher. A decisão ainda não foi tomada por causa do câmbio.

Segundo a presidente-executiva da Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa), Elizabeth Carvalhaes, a receita do setor ainda não voltou ao nível pré-crise, apesar da recuperação dos preços internacionais, porque o real valorizado prejudica a rentabilidade das exportações.

Empresas do setor de papel e celulose enfrentaram muitos problemas na crise. Aracruz e Votorantim perderam dinheiro com derivativos cambiais e se uniram na Fibria. A nova empresa não pode investir sem liquidar os empréstimos feitos para sair do sufoco. Mas tudo indica que o momento está próximo.

A concorrente Suzano entrou na crise com R$ 2 bilhões em caixa. Por isso, não interrompeu os investimentos na construção de duas novas fábricas. "Temos convicção de que o cenário de oferta e demanda é positivo no futuro", disse o diretor de relações com investidores, André Dorf.

Para Sérgio Vale, economista da MB Associados, o momento é bom para investir, porque as taxas de juros mundiais estão baixas e os investidores buscam oportunidades fora dos países ricos. "É um momento único porque os emergentes passaram a ser vistos com outros olhos."

Fonte: O Estado de S. Paulo, 16/05/2010

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