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Empresa de máquinas de SC cresce no vácuo das grandes

Publicado em 28/11/2012

Estar presente em regiões onde as grandes empresas de máquinas agrícolas demonstram pouco interesse em atuar. É com essa estratégia que a catarinense Budny, fabricante de tratores e implementos voltados à agricultura familiar, inaugura na sexta-feira uma nova unidade de produção e pretende incrementar seu faturamento entre 30% e 40% em 2013. Neste ano, a receita da companhia deverá alcançar R$ 100 milhões, 40% mais que em 2011.

"Nós estamos desbravando novas áreas", diz Carlos Budny, fundador e presidente da companhia. De acordo com ele, em muitas regiões que ficam a pelo menos 300 quilômetros de distância da revenda de máquinas mais próxima há boas oportunidades de negócios. "A gente quer atuar neste vácuo, nesse espaço não percebido pelas grandes empresas", afirma.

Budny, um técnico em eletrônica, criou a empresa há 22 anos. O primeiro equipamento a ser lançado foi um controlador de temperatura para a fumicultura, uma das atividades de sua família. Com as pressões para a redução do cultivo de fumo, partiu para novos mercados com a fabricação de outros implementos e tratores.

Os primeiros tratores - que atualmente são o foco principal da empresa, por atraírem compradores também para implementos - começaram a ser fabricados em 2010. Em 2011, saíram da unidade industrial na matriz, em Içara, região de Criciúma, 150 unidades. Neste ano, devem ser 230. A aposta é tanta no crescimento desse mercado que foram investidos cerca de R$ 30 milhões para a construção de uma nova indústria, também em Içara, com capacidade inicial para produzir cinco unidades por dia e expectativa de chegar a dez no fim de 2013.

Serão produzidos cinco modelos de tratores na nova unidade, com potência entre 25 e 90 cavalos. Os de maior potência (entre 75 e 90 cavalos) são uma nova aposta para diversificar a atuação da empresa, antes focada em tratores com potência de até 50 cv. Hoje, a região Sul ainda representa 70% das vendas da Budny. Mas há revendas em diversas regiões do país, entre as quais o "Mapito" (Maranhão, Piauí e Tocantins) e Rondônia, onde há negociações com o governo estadual para a instalação de uma fábrica da companhia já em 2013.

Apesar da recente mudança de perfil do Programa Mais Alimentos - principal fonte de crédito para a agricultura familiar-, que hoje tem uma demanda menor para a compra de tratores e viu crescer o interesse por implementos e matrizes de animais, Budny ainda vê um mercado crescente para os tratores no programa, à medida que avança a regularização dos imóveis rurais de pequenos produtores, o que garante a eles acesso ao crédito.

Como suas concorrentes, o empresário ressalta que a Budny sempre investiu na diferenciação dos produtos e em estrutura própria de venda e assistência técnica.

Carlos Budny também observa que, por ser relativamente nova, a empresa "digere" melhor os altos custos hoje para a produção de máquinas no Brasil, além de dispor de uma indústria "enxuta". A estrutura de transporte é própria, mas o custo logístico não deixa de ser enorme. O frete para se levar um trator do Sul até Rondônia, por exemplo, é de R$ 5 mil, despesa que a empresa ainda precisa assumir porque está no início de seu projeto de tratores.

"A gente sabe que terá obstáculos, mas acredita que o governo pode ajudar a viabilizar isso. Não dá para conceber porque buscamos empresas de fora e não temos a capacidade de desenvolver um trator", afirma.

O avanço das exportações também é outra meta da Budny. Hoje, os embarques representam apenas cerca de 5% do faturamento total e são direcionados a alguns países da América Latina. Para 2013, a intenção é iniciar as vendas externas para Angola, na África.

Fonte: valor

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