Especialistas apresentam iniciativas para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
Ações para acabar com a Fome e Miséria, melhorar a saúde e promover a valorização
da mulher foram apresentadas no 1º. Congresso Nós Podemos Paraná nesta sexta-feira (08)
Iniciativas de instituições e empresas que trabalham
para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) foram apresentadas na tarde desta sexta-feira
(08), durante o 1° Congresso Nós Podemos Paraná e 7ª Mostra de Ação Voluntária,
que acontecem em Curitiba até este sábado (09). Os ODM são metas sócio-econômicas propostas
pela Organização das Nações Unidas (ONU) que devem ser alcançados até 2015. Eles
contemplam a redução da pobreza, a luta contra a fome, a redução da mortalidade infantil e materna
e a sustentabilidade ambiental.
“Reduzir a mortalidade infantil e melhorar a saúde das gestantes são o 4º e 5º Objetivos do
Milênio. Melhorar os índices significa contribuir para a garantia da continuidade das futuras gerações”,
diz a coordenadora do Movimento Nós Podemos Paraná, Maria Aparecida Zago.
Ações simples podem contribuir para reverter os índices de mortalidade. O projeto desenvolvido em Curitiba,
por exemplo, resultou em diminuição de 50% do número de óbitos infantis entre 1999 e 2007. Houve
avanços também em relação à maternidade materna: em 1999, eram 71,1 óbitos para
100 mil nascidos vivos, índice que passou para 32 em 2007. A mãe tem a gestação acompanhada, com
os exames de pré-natal garantidos, o parto é seguro, e o bebê recebe todos os cuidados de saúde
no primeiro ano de vida, para manter um crescimento saudável.
De acordo com a coordenadora do programa Formação de Mobilizadores da ONG Criança Segura, Alessandra
Françóia, de 70% a 80% dos acidentes com crianças são domésticos e poderiam ser evitados
com medidas simples. “Trabalhamos na mobilização e formação de multiplicadores que irão
repassar as medidas de segurança às famílias. Outro trabalho interessante é o realizado nas escolas,
com crianças da educação infantil à 4ª série. Elas recebem orientação
sobre a prevenção de acidentes e, aos poucos, desenvolvem esta cultura, tornando-se adultos mais cuidadosos”,
conta.
Na avaliação do professor do departamento de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), André
Freitas Dias, existe uma série de iniciativas isoladas que trabalham com a saúde e qualidade de vida, mas o
grande diferencial é o trabalho em rede. “Um movimento muito interessante é o Cidades e Municípios
Saudáveis, que surgiu na década de 70, no Canadá, e que tem como proposta promover o desenvolvimento
sustentável local tendo como eixo a qualidade de vida”, afirma.
Fome e miséria - Iniciativas que fomentem a agricultura familiar e o consumo sustentável foram
apresentadas no Congresso Nós Podemos Paraná. O Padre José Aparecido Pinto, da Ação Social
do Paraná, apresentou o Programa Borda Viva, de São José dos Pinhais, que cria cozinhas e panificadoras
comunitárias, garantindo desta forma o acesso à alimentação, capacitação e orientação
das famílias, além de ações para geração de renda.
Outro programa é o Cozinha Brasil, que leva orientação sobre alimentação saudável
e aproveitamento integral dos alimentos a comunidades do Paraná. “Os alunos recebem informações
sobre o aproveitamento integral dos alimentos, nutrição básica, cardápio equilibrado, higienização,
planejamento, compras e conservação dos alimentos. Depois, auxiliam a professora no preparo dos pratos”,
informa Vera Lúcia Coimbra. “Todas as receitas ensinadas têm valor nutritivo comprovado”, ressalta.
Equidade – De acordo com Lucia Maria Xavier de Castro, da ONG Criola, que atua na defesa de melhores
condições das mulheres negras no Rio de Janeiro, qualquer ação no campo da educação
pode ajudar a diminuir as disparidades entre homens e mulheres. “Mas nada pode acabar com elas a não ser a efetiva
participação das vitimas no processo de restauração dos seus direitos. A violação
de direitos não passa pela má educação e sim pelo poder de discriminar e excluir. E só
perdemos este poder quando abrimos mão dos nossos privilégios em prol dos direitos e da cidadania”, disse.
Segundo dados do II Plano Nacional de Políticas para Mulheres, a renda das mulheres brasileiras corresponde, em média,
a 66% do que recebem os homens. “É possível reverter esta situação com políticas
que garantam a visibilidade do trabalho feminino, ingresso no mercado formal, ampliação do número de
mulheres nos espaços de decisão e, em especial, nas direções das organizações, sejam
públicas ou privadas”, afirma Maria Helena Guarezi, coordenadora do programa de Incentivo à Equidade de
Gênero da Itaipu Binacional.
Ela apresentou o programa Incentivo à Eqüidade de Gênero, desenvolvido desde 2004 pela Itaipu Binacional
com o objetivo de criar uma cultura de respeito à diversidade, em especial às diferenças de gênero.
Nasceu a partir da ampliação da missão da empresa que ocorreu em 2003, com a introdução
de conceitos de responsabilidade social. A iniciativa elevou o percentual de mulheres em postos de chefia dentro da Itaipu
de 1% para 20%, promovendo junto a isso uma política de respeito à diversidade, tanto no ambiente corporativo
quanto nas casas.