Assimilar tecnologias
estimula ambiente à inovação
A assimilação
de tecnologias exteriores foi um passo fundamental para o desenvolvimento do potencial de inovação nos países
do sudeste asiático. Esta é uma das conclusões que o economista britânico Michael Hobday apresentou
na manhã desta segunda-feira (17/11) durante o I Congresso Internacional da Inovação, realizado no Centro
de Eventos da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre.
Especialista em políticas de inovação dos países
asiáticos, Hobday proferiu uma palestra para mais de mil pessoas que prestigiaram a primeira manhã do evento,
realizado pelo Sistema Fiergs - formado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), pelo Senai (Serviço
Nacional de Aprendizagem Industrial) e Instituto Euvalod Lodi (IEL) - pela Confederação Nacional das Indústrias
(CNI) e pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
De acordo com Hobday, empresas asiáticas que iniciaram suas atividades
como pequenas linhas de montagem para gigantes dos setores de eletrônicos e de telecomunicações trataram
de dominar as tecnologias que lhes eram apresentadas pelos parceiros, para depois preocuparem-se com design, marca e investimentos
em P&D, utilizando-se de uma estratégia chamada "inovação aberta". Como resultado, agregaram
a inovação em seus produtos e serviços, garimpando espaço no mercado global. "É o
caso de empresas como a Samsung, criada nos anos 60 para produzir rádios e transistores para a Sanyo e que hoje é
a segunda maior organização em seu segmento, líder nos mercados de telefones celulares e telas de cristal
líquido, entre outros", exemplifica Hobday.
O britânico alerta que o sucesso alcançado nos países
asiáticos não serve como um modelo pronto para outros países: "Não é possível
simplesmente copiar um modelo de inovação. Cada empresa precisa focar em suas vantagens competitivas para escolher
uma estratégia para inovar".
À apresentação de Hobday seguiu-se um debate sobre
as implicações das políticas de inovação na competitividade empresarial. O coordenador
do Conselho de Inovação e Tecnologia da Fiergs, Ricardo Felizzola, destacou que o Rio Grande do Sul tem bons
ativos no que se refere à inovação, com boas universidades e empresas que já se destacam no cenário
nacional. "Mas não basta o ambiente. É preciso liderança e pró-atividade por parte do Governo",
destacou.
Segundo Jorge Luis Audy, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação
da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), o Brasil já tem uma cultura empresarial
que demanda inovação, e deve seguir apostando na formação de ambientes que favoreçam o
surgimento de iniciativas inovadoras, além de investir em educação.
O Congresso Internacional acontece até a quarta-feira (19/11), onde
especialistas nacionais e internacionais em inovação, e lideranças empresariais e governamentais discutirão,
entre outros temas, Inovação e Crescimento, Estratégias para a Inovação, Inovação
e Competitividade Local e Global, o Sistema Nacional de Inovação e o ambiente de inovação no Rio
Grande do Sul.
http://www.protec.org.br/noticias.asp?cod=2498