Falta de qualificação é o principal obstáculo na contratação de pessoas com
deficiência
Seminário organizado pelo Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial reuniu empresários e pessoas com
deficiência para discutir os desafios e alternativas na hora da contratação
As pessoas com deficiência devem ser devidamente qualificadas
para que possam aproveitar as oportunidades existentes no mercado de trabalho. As vagas existem, mas as empresas deixam de
contratar porque os profissionais nem sempre têm a qualificação adequada para exercer as funções.
Essa foi uma das conclusões do seminário “Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado
de Trabalho”, realizado pelo Núcleo Indústrias, do Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial (CPCE)
do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) nesta terça e quarta-feira
(04 e 05), em Curitiba. O seminário aconteceu em paralelo à Expotalentos 2008 – Feira de Estágios
e Profissões que o IEL Paraná está promovendo até esta quinta-feira, 06 de novembro no Cietep,
em Curitiba.
Na avaliação de Irajá Brito Vaz, da assessoria especial de Assistência à Pessoa com Deficiência
da prefeitura de Curitiba, é necessário criar estratégias para a contratação e capacitação
das pessoas com deficiência. “A colocação se faz de acordo com a legislação trabalhista,
entretanto, a lei cria um número insuficiente de posições no mercado de trabalho e a baixa qualificação
é um impeditivo para a conquista da vaga”, disse.
O artigo 93 da lei 8213/91 criou a obrigatoriedade de cotas para a contratação de pessoas com deficiência
nas empresas. A lei prevê que em um estabelecimento com 100 a 200 empregados, 2% das vagas devem ser ocupadas por pessoas
com algum tipo de deficiência; em empresas com 201 a 500 funcionários, a cota é de 3%; de 501 a 1.000,
4%; e mais de 1.000 empregados, 5%.
As empresas que não cumprem a lei são autuadas e encaminhadas ao Ministério Público do Trabalho.
“A autuação apenas não basta. As empresas pagam uma multa e ficam livres. É preciso que
as instituições tomem providências, senão entraremos em um círculo vicioso”, afirmou
o auditor fiscal da Delegacia Regional do Trabalho no Paraná (DRT), Hans Franke.
De acordo com José Simão Stczaukoski, coordenador estadual do Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência
da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, o maior desafio é o desconhecimento.
“É preciso desenvolver um trabalho articulado com dirigentes e encarregados de recursos humanos, para mostrar
que a deficiência não é um obstáculo e sim um estímulo para que as pessoas possam desenvolver
um bom trabalho”, disse.
O banco de dados da secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social do Paraná recebe cerca
de 4,5 mil cadastros por mês de pessoas com deficiência que buscam uma colocação no mercado. Estatísticas
mostram que 10 pessoas são contratadas por dia em todo o Estado, sendo que por ano, mais de 2.500 pessoas conseguem
uma colocação.
Inclusão e capacitação – Priscila Branca Neves, psicóloga e coordenadora
do Programa de Empregabilidade de Pessoas com Deficiência da Serasa, apresentou o trabalho desenvolvido pela empresa
na capacitação de pessoas com deficiência. “Desde 2001, contratamos e qualificamos pessoas com deficiência
de acordo com o perfil de cada um. Hoje temos 90 pessoas trabalhando em São Paulo e em outras unidades espalhadas pelo
Brasil”, disse.
A Serasa seleciona e qualifica as pessoas com o objetivo de contratá-las. Empresas parceiras se envolvem no treinamento
e se comprometem a contratar as pessoas após os 5 meses de curso, que englobam desde a informática básica
até aspectos técnicos. “É um investimento alto. Cada empresa parceira paga a qualificação
das pessoas que serão contratadas em seu quadro funcional. Mas o mais importante é a valorização
dos profissionais com deficiência, que se sentem úteis”, concluiu.
Na opinião de Carmen Leite Ribeiro Bueno, superintendente geral da Sorri Brasil, ONG que trabalha na promoção
dos direitos humanos com ênfase na pessoa com deficiência, a inclusão social passa pelo conceito de gestão
da diversidade. “Quando falamos em gestão da diversidade, não falamos somente de pessoas com deficiência.
É uma responsabilidade social corporativa. Significa que a empresa deve favorecer ou promover igualdade de oportunidade
para as pessoas da comunidade sem discriminação, orientação sexual, deficiência, raça,
etnia”, explicou. “Essa é uma visão completamente nova, surgida no final dos anos 90.”
Carmen ressaltou que não se fala em igualdade de oportunidade sem igualdade de condições. “A grande
questão é a qualificação. A maioria da população, não só as pessoas
com deficiência, não tem qualificação para o nível que as empresas querem. As empresas precisam
de ações afirmativas para colocar as pessoas com deficiência mais próximas das outras”, afirmou.