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Expotalentos 2008
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Aberta em Curitiba maior feira de estágios e profissões do sul do Brasil

Evento promovido pelo IEL abre com palestra do especialista em educação Gustavo Ioschpe, que traz dados alarmantes sobre o ensino no País

Foi aberta nesta terça (04), em Curitiba, a Expotalentos 2008, maior feira de estágio e profissões do Sul do Brasil, promovida pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) através do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) do Paraná. O evento reúne até quinta-feira (06) 50 estantes de empresas e instituições educacionais no Centro de Exposições Horário Sabino Coimbra, no Cietep, e oferta uma programação gratuita com mais de 100 palestras e workshops sobre carreira, tendências e oportunidades de mercado.

“A Expotalentos é um evento de extrema importância, que vai ao encontro das necessidades da indústria em encontrar mão-de-obra qualificada”, disse o superintendente do IEL Paraná, Henrique Santos, durante a cerimônia de abertura. “A descoberta de talentos é uma prioridade para a indústria moderna, onde se valoriza o conhecimento mais do que os ativos tangíveis”, afirmou o superintendente nacional do IEL, Carlos Cavalcante.

O evento que marcou a abertura da Expotalentos contou com a palestra do especialista em educação Gustavo Ioschpe, colaborador da revista Veja e do jornal Zero Hora. Autor de “A Ignorância Custa um Mundo”, livro vencedor do Prêmio Jabuti 2005, Ioschpe falou sobre “Educação no Brasil e Sucesso Profissional”, mostrando dados alarmantes sobre a situação da educação no País. Segundo o pesquisador, formado pela Universidade da Pensilvânia e especialista em economia internacional e desenvolvimento econômico pela Universidade de Yale, ambas nos Estados Unidos, 72% da população brasileira não é plenamente alfabetizada e 24% das crianças repetem a 1ª série do ensino fundamental (quando na Europa e nos EUA essa taxa é praticamente zero e no Chile é de 2,5%). “O Brasil populariza a ignorância”, sentenciou o palestrante.

Esses dados, disse Ioschpe, revelam um “problema sistêmico que começa mal e só pode ir piorando ao longo do tempo”. “O Brasil não conseguirá ser um país desenvolvido com a educação pública desse jeito”, afirmou. Ioschpe mostrou que no teste Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos, coordenado internacionalmente pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2006, o Brasil ficou, entre 57 países avaliados, na 54ª colocação em matemática, em 49º em linguagem e na 52ª posição em ciências, sempre atrás de países como Indonésia, Uruguai, Chile e Jordânia.

“No Brasil não se sabe o que fazer para mudar esse sistema”, disse Ioschpe. “Não há uma solução que resolva o problema da educação no País”. De acordo com o especialista, dados de 2005 mostram que, de 5,9 milhões de estudantes brasileiros matriculados na 1ª série do ensino fundamental, apenas 717 mil completam o ensino superior. Em termos de taxa bruta de matrículas, 20% da população brasileira freqüenta a educação superior. Na Coréia do Sul este número é de 89% e nos EUA, 82%. Mas mesmo países vizinhos latino-americanos têm taxas melhores: Na Argentina são 61% de matriculados, no Chile, 43% e no Paraguai, 26%.

“A educação superior no Brasil é para uma elite de 20% da população. Mas a armadilha é acreditar que quem tem ensino superior completo está no mesmo nível de quem se forma em países desenvolvidos”, afirmou. “É fundamental que as pessoas entendam as deficiências do ensino e corram atrás de melhorias para sua educação se igualar com a de seus pares de países desenvolvidos”, complementou. Ioschpe mostrou que, no Brasil, um ano adicional de educação formal na vida de uma pessoa gera um crescimento de 10% a 13% em seu salário. “E aumentar um ano na instrução média da população gera 7% a 9% de crescimento econômico para o país”.

O especialista finalizou sua palestra exibindo algumas ações de eficácia empiricamente comprovada para a melhoria da qualidade da educação nas instituições: infra-estrutura em ordem, recrutamento seletivo de professores, melhores professores atuando nas áreas mais difíceis, programas de apoio ao professor, foco na retenção de bons professores, prestação de contas, assiduidade do professor e pouca burocracia. O especialista também mostrou ao público fatores que podem auxiliar imediatamente na melhor formação do estudante: assuduidade do aluno, nível educacional dos pais, posse de livros e bens culturais, posse de computador, matrícula desde a pré-escola, fomento do gosto pela leitura e leitura na primeira infância, estímulo ao desenvolvimento de ambições para o futuro, morar perto da escola, efeito dos pares (boas companhias), não trabalhar durante os estudos e fomento a atitudes positivas em relação aos estudos.

Capital humano – Durante o primeiro dia de realização da Expotalentos 2008, o consultor e headhunter Bernt Entschev falou aos participantes da feira sobre “Capital Humano: o diferencial competitivo no mundo dos negócios”.  “A carreira não é responsabilidade da empresa, mas de cada um de nós. Hoje as empresas querem que as pessoas autogerenciem suas carreiras”, disse.

O consultor listou algumas competências que as empresas procuram no profissional de hoje: capacidade crítica, sinergia de valores e empreendedorismo; e o que o profissional precisa apresentar: determinação e autoconfiança, responsabilidade pessoal e ética e criatividade e agilidade. “É preciso também saber atuar em grupo, lidando com culturas diferentes, interagindo com as diferenças e saber liderar e permitir ser liderado”, afirmou. “Avalie e diversifique suas atividades, melhore e amplie sua comunicação, recicle-se constantemente, trate a carreira como negócio, aprenda a lidar com pessoas e adicione mobilidade”, aconselhou o headhunter.

Na opinião de Entschev, “a sociedade do conhecimento é a primeira sociedade humana onde o crescimento é limitado e tem que ser adquirido. Precisamos de uma sociedade mais competitiva e mais competente para termos um mundo melhor”.




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