Expansão da Ferroeste deve baixar custo de transporte no Paraná, diz diretor
A convite da Fiep, Samuel Gomes falou a empresários sobre projeto que prevê a ampliação da
malha ferroviária no Estado em 1,2 mil km
A expansão da Ferroeste, ferrovia pública paranaense que atualmente liga os municípios de Guarapuava e
Cascavel, na Região Oeste, deve baixar de 30% a 40% os custos de transporte no Paraná, afirmou nesta terça-feira
(28) o diretor-presidente da concessionária, Samuel Gomes, durante encontro com empresários paranaenses promovido
pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) através dos Conselhos Temáticos
de Infra-estrutura e Comércio Exterior. “O grande desafio do Brasil é reduzir os custos de transporte”,
disse Gomes, citando um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que aponta que uma redução de
10% nos custos logísticos brasileiros acarretaria em uma expansão de 43% das exportações do País.
A Ferroeste pretende construir 1,2 mil novos quilômetros de ferrovias interligando o Paraná aos Estados de Mato
Grosso do Sul e Santa Catarina e ao Paraguai, além de viabilizar a ligação ferroviária entre Guarapuava
e Paranaguá. “O transporte ferroviário é um setor estratégico em que o Estado brasileiro
precisa atuar. A expansão da Ferroeste será uma verdadeira revolução logística para a região”,
afirmou o diretor da empresa. De acordo com Gomes, a Ferroeste já tem em mãos estudos de pré-viabilidade
de alguns dos ramais previstos no projeto. “O custo total do projeto deve ser de R$ 3 bilhões, mas somente o
trecho entre Guarapuava e Paranaguá, que é condição para os outros, deve custar entre R$ 1 e R$
1,5 bilhões”, afirmou. “Não serão utilizados recursos orçamentários. O projeto
se pagará com produção”, completou o diretor-presidente da estrada de ferro.
Gomes disse acreditar que a construção dos novos ramais – que, a exemplo do trecho inicial, construído
em 1991, deve contar com a parceria do Exército – deve se iniciar no final de 2009 ou, no máximo, início
de 2010: “São módulos que interagirão entre si e poderão ser construídos simultaneamente”.
Segundo dados da concessionária, a capacidade de escoamento da Ferroeste hoje é de 5,5 milhões de toneladas/ano.
A previsão é que somente com a construção do trecho entre Guarapuava e Paranaguá, esse
valor se amplie em 3,6 milhões de toneladas/ano. A expansão, afirmou Samuel Gomes, também deve reduzir
consideravelmente o tempo gasto no transporte: “O ciclo dos vagões do transporte entre Cascavel e Paranaguá
hoje é de oito dias e meio. Vamos reduzir este tempo para um dia”, afirmou.
“O transporte ferroviário é estratégico para termos condição de trabalhar a questão
tarifária. É preciso se fazer investimentos na malha, na construção de trilhos e na adequação
de trechos”, disse o consultor de logística, infra-estrutura e transporte da Fiep, Mário Stamm. “Vemos
com muita atenção e como muito oportuna a ampliação da malha ferroviária no Paraná,
especialmente o trecho entre Guarapuava e Desvio Ribas, que é um gargalo logístico. É possível
construir este trecho rodoviário com grande rapidez”, completou. Citando o projeto Paraná Multimodal,
produzido pela Fiep para avaliar as ações de logística, infra-estrutura e transporte fundamentais para
o desenvolvimento do Estado, Stamm lembrou que é vital se pensar em plataformas multimodais, em que “há
um significativo ganho de escala com a redução do tempo de armazenagem”.