SUSTENTABILIDADE É PRIORIDADE NA
AGENDA DO SETOR
Tema centralizou os primeiros debates do II Seminário da Indústria Mineral Sustentável, promovido
pela Fiep
"Precisamos fazer de forma sustentável,
que traga valor, seja socialmente responsável e respeite o meio ambiente”, afirmou o coordenador do Conselho
da Indústria Mineral e do evento, Cláudio Grochowicz. “Se precisamos dos minerais, não podemos
impedir que os retirem. Mas nós mineradores precisamos utilizá-los de forma racional”, completou.
Grochowicz
lembrou que a indústria mineral é imprescindível para a sociedade. “Nada menos que 80% dos bens
que consumimos carregam minerais em sua composição. Para cada trabalhador da indústria mineral, empregam-se
outros dez na cadeia”, informou ele.
O coordenador citou, na cerimônia
de abertura do Seminário, nesta quinta-feira (23), alguns dados que dão conta da importância do setor
para a economia do Paraná: 5,4% dos trabalhadores do Estado estão diretamente empregados pela indústria
mineral; 8,8% dos estabelecimentos industriais paranaenses são ligados à mineração; e 4,8% do
PIB industrial paranaense é advindo da atividade mineradora. “Para efeitos de comparação, isso
é mais que a metade do PIB das montadoras, que representam 8% do PIB industrial do Estado. Isso mostra que não
somos percebidos pela sociedade na mesma proporção”, disse.
Ocupar
espaços - A questão da percepção
da imagem do setor pela sociedade também foi um dos pontos do Seminário. “Precisamos ocupar espaços
para que nossos pleitos sejam ouvidos”, afirmou Grochowicz. A indústria mineral paranaense
produz 28% da cal, 24% do calcário para agricultura e 12% do cimento de todo o País. “Neste Seminário
queremos destacar a importância da mineração para a sociedade, que depende essencialmente deles”,
completou.
“Sustentabilidade e mercado são intimamente ligados”,
confirmou o diretor de Assuntos Ambientais do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Rinaldo César
Mancin, durante a palestra de abertura do Seminário. “Para ser sustentável é preciso ser ecologicamente
correto, ecologicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito”, detalhou. “Hoje, ninguém
mais vende minério se não mostrar que seu negócio é sustentável”. Segundo Mancin,
as diversas contingências impostas pela legislação ambiental e pelas restrições dos mercados
internacionais obrigam o empresário do setor a encarar o tema de frente: “A empresa que não se adequar
a esses conceitos e visão está fadada a deixar o mercado no médio e longo prazo”, afirmou.
Mancin
citou, em sua palestra, algumas ações simples que podem permitir que a indústria caminhe em direção
à sustentabilidade: usar energia racionalmente; usar os recursos hídricos racional e conscientemente; promover
uma gestão eficaz dos resíduos; investir pesado em saúde e segurança do trabalho; comprar de fornecedores
comprometidos com sustentabilidade; interagir com comunidades locais e construir alianças; e compreender que a empresa
é agente social e que os efeitos de suas ações ultrapassam seus muros.
Saúde
e segurança – O
primeiro painel realizado no II Seminário da Indústria Mineral Sustentável, nesta sexta (24), abordou
justamente o tema “Saúde e segurança ocupacional no setor mineral”. Tecnologista sênior da
Fundacentro, órgão do Ministério do Trabalho e Emprego, Evelyn Joice Albizu exibiu dados sobre o Programa
de Segurança e Saúde no Trabalho promovido pela instituição. “É preciso priorizar
medidas de controle coletivo e utilizar equipamentos adequados”, disse ela. “Programas de gerenciamento de riscos
podem ser feitos pelos próprios empresários e não precisam ser terceirizados”, completou.
O engenheiro em segurança do trabalho da Votorantim Cimentos, Marcelino
Yamauti, apresentou à platéia a experiência de sua empresa em programas de saúde e segurança
do trabalho. “É de suma importância para a efetividade dos programas a participação das lideranças,
que podem motivar os colaboradores na participação”, afirmou. Yamauti citou que a Votorantim Cimentos
tem como meta reduzir os acidentes de trabalho a zero, e que para isso tem implementado uma série de ações
visando a segurança de seus colaboradores. “São ações que ocorrem antes e no decorrer do
trabalho”, disse. Uma das ações da empresa, mostrou o engenheiro, é o chamado “quadro de
humor”, em que os operadores assinalam seu humor no dia: Verde é bom, amarelo, médio e vermelho, mau.
“Sugerimos aos líderes que conversem com operadores que estão no amarelo e no vermelho”, disse Yamauti.
Medida bastante simples que pode ajudar a diminuir acidentes.
O II Seminário
da Indústria Mineral Sustentável debaterá ainda associativismo e cooperação, em painel
reunindo Fábio Pini, representante do Arranjo Produtivo Local de Cal e Calcário do Paraná e associações
do setor; Sérgio Pagnan, do Sindicato da Indústria de Cerâmica Vermelha do Morro da Fumaça (SC);
Lairton Simonatto e Orestes Hotz, do Sindicato das Indústrias de Cerâmicas e Olarias de Nova Santa Rosa; e representante
da Cooperativa de Pedras Ametista do Sudoeste do Paraná. Também haverá uma apresentação
dos fornecedores e expositores do Seminário, que estarão exibindo as mais recentes novidades tecnológicas
da área, reunindo Ricardo Dutra, do Núcleo de Tecnologia Mineral do Senai, e Adilson Carlos Costa, do Núcleo
de Tecnologia Cerâmica do Senai. O encerramento oficial do evento acontece às 17h30.