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25/07/2018

America First: a política protecionista americana

Desde a campanha, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizia que acabaria com todos os tratados comerciais que prejudicassem os empregos industriais em seu país. Não demorou e suas promessas começaram a se cumprir: a saída dos Estados Unidos do acordo de livre comércio transpacífico (TPP). Recentemente, começou a taxar ou aumentar a alíquota de produtos importados. A MAGAnomics ou Trumponomics está baseada, entre outras políticas, em protecionismo comercial.

Por trás da redução do liberalismo comercial está, então, o protecionismo dos trabalhadores industriais e da própria indústria americana. Esta política não é apenas americana, a União Europeia também está com políticas ativas em andamento para se reindustrializar. Documento do Parlamento Europeu (EPRS Briefing, September 2015, Industry 4.0 - Digitalisation for productivity and growth) salienta a importância de recuperar a indústria que se deslocou principalmente para a Ásia.  Nos Estados Unidos, a aprovação pelo congresso do Ensuring American Leadership in Advanced Manufacturing, em 2011, e do Revitalize American Manufacturing Act, em 2014 (na época o presidente era Barack Obama), tem como objetivo a reindustrialização do país. Estas medidas já estão aumentando a participação da indústria no produto interno bruto dessas regiões do mundo.

Para atingir esse objetivo, o governo americano elevou os impostos de importação para vários produtos desde o início de 2018: em janeiro, foram os painéis solares (tarifa de 30% no primeiro ano, caindo para 15% no quarto ano) e as lava roupas (tarifas de 50% para importações superiores a 1,2 milhões de máquinas); depois o aço e o alumínio, atingindo vários países, inclusive a China.

Nesse momento, iniciou-se uma ?guerra? comercial entre os Estados Unidos e China. Em março, foram aplicadas tarifas de US$ 50 bilhões para produtos chineses (por roubo de propriedade intelectual). Em 2 de abril, a China então impôs tarifas sobre 128 produtos, incluindo aviões, automóveis, carne de suínos e soja. Os americanos, em 3 de abril, divulgaram a lista de mais de 1.300 categorias de produtos atingidos: peças de aeronaves, baterias, televisores, satélites, etc. A China retaliou aumentando em mais 25% as tarifas sobre os produtos já citados. As ameaças continuaram e, na prática, em 6 de julho entrou em vigor a tarifa norte-americana de 25% sobre US$ 34 bilhões de importações chineses, e a China também ativou as barreiras na mesma proporção. Até o momento, foram afetados 0,1% do produto interno bruto mundial.

No fim, quem paga é o consumidor, pois todas estas tarifas encarecem os produtos. Por exemplo, a Ford e a General Motors tiveram mais de 800 produtos encarecidos em 25% a partir de 6 de julho. E o consumidor chinês pagará mais caro por 545 produtos norte-americanos. Se a "guerra" continuar, os produtos se tornarão mais caros e o consumo diminuirá, provocando certamente uma redução do crescimento econômico mundial.

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