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24/07/2018

Impacto da greve do transporte de cargas nas exportações paranaenses.

Em 21 de maio último, profissionais autônomos do transporte de cargas entraram em greve, interrompendo o trânsito de produtos e matérias-primas nas principais rodovias do país. Eles exigiam principalmente a redução do preço do óleo diesel, a redução do PIS e da COFINS sobre este combustível e a fixação de tabela de valores mínimos para o frete. É fato que os preços dos combustíveis vinham subindo constantemente desde julho de 2017. Não cabe aqui analisar as causas deste aumento, mas certamente políticas de preços de combustíveis equivocadas adotadas desde novembro de 2005 tiveram forte influência. Interessante destacar que toda a população apoiou o movimento, apesar dos transtornos e prejuízos provocados.

Dentre os prejuízos diretos para a indústria paranaense, destacam-se a perda de receita diária, estimada em R$ 550 milhões, e a redução das exportações, que será mostrada na sequência. De forma indireta, tem-se a perda, rompimento e (ou) multas de contratos; a deterioração ou perda de insumos perecíveis; a falta de recebimento de partes e componentes nas entregas just-in-time.

Dados da SECEX (Balança Comercial Semanal) dimensionam o recuo das exportações causado pela greve. Nas três primeiras semanas de maio, imediatas antes da greve, as exportações brasileiras diárias superaram US$ 1 bilhão. Na última semana de maio, as exportações declinaram para US$ 699,4 milhões (queda de 33%) e, na primeira semana de junho, quando os efeitos da paralisação atingiram o auge, o valor diário exportado caiu para US$ 641,6 milhões (39% a menos quando comparado ao início de maio). Na segunda semana de junho, a primeira do mês com cinco dias úteis, o valor médio exportado por dia foi de US$ 812,4 milhões. Apenas na terceira semana de junho o valor retornou ao nível do começo do mês anterior.

Segundo a mesma SECEX, a maior queda se deu nas exportações de produtos industrializados (46%), seguida dos semimanufaturados (37%) e dos básicos (31%). A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou que as perdas por exportações industriais não realizadas nesse período no país foram de R$ 3,8 bilhões.

No Paraná, a conta não é diferente. Entre abril e maio, a queda nas exportações de produtos industrializados foi de US$ 59 milhões e, em relação a maio de 2017, a redução atingiu U$$ 250 milhões. A conta, porém, não termina em maio: junho ainda apresentou redução de US$ 104 milhões. Ao todo, estimam-se então perdas diretas de mais de U$$ 400 milhões.

Todos esses e outros impactos causados pela greve comprovaram que o Brasil tem grande dependência do modal rodoviário de transporte. Isso mostra a necessidade de melhorar sensivelmente outros sistemas modais, como o ferroviário, para que esses problemas não se repitam no futuro.

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