Educação básica
Tamanho da fonte : Aumentar +A | Diminuir -A

Escolas comemoram “virada”

Colégios mal avaliados no Ideb 2005 mudam abordagem e superam objetivos no índice de 2007

Tirar nota vermelha no boletim causa mal-estar para qualquer estudante. Imagine, então, ficar entre os alunos com as notas mais baixas da turma? Pois foi sensação parecida que impulsionou a superação no modo de ensinar e gerir um estabelecimento público de ensino regular nas séries iniciais da educação básica das escolas de Curitiba e do Paraná com as menores médias no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2005. Uma nova avaliação divulgada na semana passada pelo Ministério da Educação (MEC), feita em 2007, mostra melhora no desempenho dessas instituições.

Em três escolas, a nota superou a meta do governo federal estabelecida para 2021. A previsão do governo é alcançar o índice 6,0 – o mesmo de países desenvolvidos – em todas as escolas públicas do Brasil. Na previsão anterior, dificilmente as escolas com baixo desempenho alcançariam a meta. Com a boa recuperação vêm o exemplo e a lição de que qualidade da educação pública pode, sim, melhorar com atitudes simples. Foi assim nas escolas municipais Telma Bonfim, em Altônia; Caetana Martins, em Antonina; e Monteiro Lobato, em São João do Ivaí.

Dessas três, a melhoria de desempenho dos alunos da Telma Bonfim, no pequeno município de Altônia, região de Cascavel, surpreendeu. Além de ter ultrapassado a meta prevista para 2021, a escola passou de um Ideb de 0,7 em 2005 para 5,5 em 2007 – maior que a média estadual de 5,2. De acordo com a diretora, Valdeci Thomazini Vicente, quando a escola recebeu a notícia da avaliação anterior, a primeira atitude foi contestar os dados. “Depois de um tempo começamos a acreditar que podíamos reverter a situação. Mas o resultado nos surpreendeu”, afirma.

A escola de 360 alunos passou dois anos em uma espécie de UTI. O tratamento contou com maior investimento em material pedagógico, incentivo à leitura e salas de apoio para alunos que apresentavam dificuldade no aprendizado. “O resultado anterior foi tão ruim que nem conseguíamos apontar onde estavam os erros. E toda a comunidade escolar assumiu o compromisso de melhorar e conseguimos. Agora queremos melhorar ainda mais”, diz.

Em São João do Ivaí, região Norte do estado, a diretora da Escola Municipal Monteiro Lobato, Neuci Ferreira de Melo Couto, diz que o resultado do Ideb 2005 mostrou a realidade de uma turma que concentrava muitos alunos com problemas de aprendizagem. “Coisa que não ocorreu com essa turma, tanto que apresentou resultado diferente”, afirma. O índice passou de 2,1 em 2005 para 4,6 em 2007 e, de acordo com Neuci, não houve grandes mudanças além da implantação de um projeto de apoio educacional onde os alunos que apresentam dificuldades no aprendizado são atendidos no contraturno por uma professora, encaminhados a psicólogos, pedagogos e fonoaudiólogos. “Tínhamos dificuldade de detecção de alguns distúrbios, que precisavam da avaliação de neurologistas, e agora fazemos promoções para pagar as consultas dos alunos”, afirma.

Já a diretora Cláudia dos Santos Canha, da Escola Municipal Caetana Martins, em Antonina, no litoral, acredita que o segredo da escola pública com qualidade é o comprometimento de toda a equipe escolar com o serviço prestado. “O professor é o espelho do aluno. E estimular quando todos estão comprometidos é possível”, diz. A escola passou de um Ideb 2,5 em 2005 para 4,9 em 2007. A diretora conta que não foi fácil aceitar a nota baixa, principalmente porque a gestão estava no início dos trabalhos. “Foi um desafio. A gente olhava para o nosso trabalho e pensava que nada tinha valido a pena. Mas agora sabemos que podemos e queremos mais”, diz.

Nota alta bem planejada

A maior média no Ideb (7,1) das escolas de Curitiba não guarda nenhum segredo além de organização e disciplina de trabalho. É o que garante a diretora da Escola Municipal São Luiz, Lucélia Cavalcanti de Albuquerque, que está à frente da gestão desde que a escola foi municipalizada, em 1996. “Ter uma escola sempre organizada é a base para qualquer trabalho. Não podemos nos acomodar nunca”, afirma.

Antes de ser gerida pelo município, a escola funcionava por meio de uma parceria entre o governo estadual e o Lar dos Meninos de São Luiz. O atendimento era dado a crianças carentes por freiras da Arquidiocese de Curitiba. Depois da municipalização, as vagas aumentaram e os 390 alunos da escola que fica entre os bairros Água Verde e Batel vêm de diversas regiões da capital. A maioria das crianças atendidas pela manhã passam para a responsabilidade das irmãs do Lar no período da tarde, onde têm oficinas diversas de bordado, tricô, ensino religioso, balé, pintura em tela, informática e coral. No segundo semestre passarão a ter aulas de judô.

Na escola, as crianças dos dois turnos participam de oficinas de geometria, literatura e artes. Um laboratório de informática, com 11 computadores, também faz parte do ensino. Segundo a diretora, a Escola São Luiz não tem evasão escolar e o índice de repetência é de apenas 6%. “O respeito pela escola por parte das famílias é uma conquista, tanto que temos lista de espera por vagas”, diz.

Fonte: Gazeta do Povo



Envie a notícia por email
Seu nome:
Seu email:
Enviar para:
Email:
Comentário: