As atividades de uma agência de desenvolvimento são muito
numerosas e diversificadas. É mesmo difícil e arriscado agrupá-las em categorias principais genéricas, ou mesmo tentar esboçar
uma nomenclatura. As atividades abaixo mencionadas devem ser consideradas como indicativas.
Será evidente que, excetuando as grandes agências de desenvolvimento,
isto é, as que abrangem regiões importantes no que se refere à sua população, é praticamente impossível para uma agência de
desenvolvimento ir ao encontro de todas as necessidades de uma região e oferecer um vasto leque de ferramentas e de serviços.
Desse modo, serão aconselhadas a:
Procurar permanentemente a inovação, mesmo se tiverem que privatizar
ou subcontratar os produtos e serviços desenvolvidos quando o último atinge a maturidade ou o mercado se desenvolve.
Programação
Regional Estratégica
Existem várias definições para caracterizar o conceito de planejamento estratégico regional,
tais como:
Em cada caso, os atores afirmam que a programação estratégica necessita de um fator tempo, uma contribuição e um acompanhamento da implementação, bem como uma massa crítica de projetos empresariais e uma liderança com credibilidade, poder decisional e acesso a recursos financeiros.
Os desafios da programação estratégica são fundamentalmente dois:
a) Mobilizar os potenciais parceiros, tanto públicos como privados, quer em nível supra-regional quer a nível regional, ou mesmo sub-regional;
b) Alcançar um equilíbrio entre os vários componentes
de desenvolvimento regional: infra-estruturas, recursos endógenos, apoio aos criadores de empresas e às empresas já existentes,
prestando assistência à formação ocupacional, transferência de tecnologia, pesquisa, etc?
A programação estratégica apresenta, portanto, a vantagem de definir os parâmetros de acordo com os quais terá lugar a intervenção prioritária ficando alguém encarregado de determinar a estrutura dos parceiros a mobilizar.
Em conseqüência, o papel de uma agência de desenvolvimento é assegurar que as condições para o sucesso enumeradas estejam presentes e que a parceria requerida opere num caminho otimizado.
Deveremos ter em conta que o desenvolvimento de uma estratégia regional é freqüentemente baseado, por exemplo, numa Análise SWOT. Esta última deve ser considerada como uma tentativa de olhar criticamente as perspectivas de uma região. A base para uma análise deste tipo será um exame da região e uma análise das condições de mercado. O exame incluirá tanto uma análise da estrutura industrial, do mercado de trabalho e do setor sem fins lucrativos, bem como uma análise do comportamento das autoridades públicas.
Terá que sublinhar que a Análise SWOT não é a única análise técnica (a FIEP tem adotado com freqüência o método de Investigação Apreciativa), mas sim a sugestão de uma ferramenta que contribui para a tomada de decisão.
Serviços Relacionados com Negócios
De acordo com um inquérito levado a cabo junto de diversas agências Européias, os serviços para as empresas estão se tornando uma atividade cada vez mais importante. Parece também que os serviços relacionados com negócios alcançam um crescimento maior do que a economia geral e o setor de serviços.
As respostas obtidas com aquele inquérito permite identificar oito funções genéricas nos serviços relacionados com negócios:
1. Gestão;
2. Produção;
3. Informação e Comunicação;
4. Pesquisa;
5. Marketing;
6. Serviços
Operacionais;
7. Pessoal;
8. Logística.
A qualidade dos serviços relacionados com os negócios deverão ter as seguintes características:
Desenvolvimento estreito com o mercado.
O
Papel das Agências de Desenvolvimento Regional
A vitalidade de uma região é baseada tanto no desenvolvimento
das empresas existentes como no estímulo do espírito empresarial. Uma agência de desenvolvimento deve dar a devida atenção
aos problemas das empresas existentes ou em início de atividade. Por conseguinte, deverá desenvolver uma estrutura interna,
tendo em conta a opinião e o serviço requerido por estes dois tipos de empresa.
As ações no campo das companhias existentes
podem estar ligadas com:
Parece importante assinalar que a criação de emprego
através do desenvolvimento de empresas existentes não é suficientemente tida em consideração. As empresas que empregam entre
50 a 200 pessoas têm freqüentemente um potencial de exportação e de criação de emprego inexplorado.
Devemos acrescentar
que a consultoria, visando a transferência e disseminação de tecnologia, é uma excelente área de ação em favor das empresas.
No que diz respeito ao estímulo do espírito empresarial, a questão será, acima de tudo, desenvolver ações que visem:
Finalmente, deve-se salientar que, em certos casos, a
agência de desenvolvimento terá que intervir de modo a salvaguardar a continuidade do emprego nas empresas em dificuldades.
De fato, perante a crise econômica que ameaça as empresas que assistiram ou atraíram, de modo a evitar os efeitos negativos
da descentralização de grandes empresas ou das mudanças nos comportamentos de compra dos grandes diretores em relação aos
subcontratados, as agências de desenvolvimento podem, ou devem, por vezes, intervir de modo a manter a duração do emprego
nas suas regiões.
A disponibilidade de capital é uma limitação a este tipo de ação. Por vezes é também levantada a
questão da relevância da intervenção direta de uma agência de desenvolvimento, ou de fundos públicos, de modo a contrabalançar
as decisões do setor privado ou a substituir a iniciativa privada.
Como conclusão das considerações referidas, devemos
relembrar que uma agência de desenvolvimento pode envolver-se, em qualquer altura do ciclo de vida de uma empresa ou de um
produto desenvolvido por uma empresa.
Serviços Financeiros a Empresas
Além dos créditos clássicos propostos
por bancos, existe um vasto leque de instrumentos financeiros para ajudar as empresas. Estes abrangem desde subsídios a concessões
de capital de risco.
Em alguns países europeus as agências de desenvolvimento investiram na gestão de tais instrumentos
financeiros a favor das empresas e, noutros países, limitaram-se a criar processos aplicativos para autoridades regionais
ou locais que possibilitem a concessão do apoio.
Entre os tipos de assistência financeira mais usados, deveremos mencionar:
Paralelamente a estas técnicas diretas de assistência financeira existe também um certo número de ações de apoio indireto, das quais destacamos:
Atrair Investidores Estrangeiros
É uma atividade
cada vez mais implementada pela grande maioria das agências de desenvolvimento. De modo a gerir melhor esta atividade, várias
agências de desenvolvimento estabelecem gabinetes no exterior, outras limitam-se a medidas mais tradicionais, como: missões
técnicas, cooperação com estruturas nacionais especializadas, campanhas informativas ou também participação em feiras de negócios
ou exposições.
Relações entre Agências de Desenvolvimento e Outras Estruturas de Desenvolvimento Econômico
Com o decorrer do tempo, foram desenvolvidos novos conceitos
e novas estruturas, com a intenção de revitalizar a economia regional e o tecido social. Estes incluem, por exemplo, a criação
e desenvolvimento de Centros de Empresas e Inovação (vulgos BICs - Business Inovation Centers), incubadoras de empresas, parques
tecnológicos, fundos de investimento regional, centros de serviços a empresas, agências de desenvolvimento, etc..
Dependendo
da situação local e da rede interinstitucional em que operam, as agências de desenvolvimento integram certas funções, ou objetivos,
específicos a tais conceitos. Constata-se pois, no contexto da experiência Européia, que certas agências; exploram seus próprios
fundos de capital de risco; integram na sua atividade as funções de capital de risco, da consultoria a empresas; gerem um
Centro de Empresas e Inovação; etc..
As agências de desenvolvimento que estão estritamente envolvidas na gestão de
uma ou várias estruturas têm, no entanto, sua própria entidade legal. Desse modo, algumas delas gerem várias incubadoras.
são acionistas de: Centros de Empresas e Inovação, Parques Tecnológicos, cooperam com fornecedores de Formação de modo a ajustar
a oferta à Análise de Necessidades de Formação. etc...
As agências de desenvolvimento deveriam cooperar com as associações
empresariais, porém tais entidades por vezes restringem os serviços aos seus membros, enquanto que as agências de desenvolvimento
trabalham para todos.
Por outro lado, em algumas regiões, verifica-se a total ausência de relações entre as várias
organizações.
No entanto, a teoria de desenvolvimento regional, bem como as análises feitas de modo a perceber os
fatores de sucesso em algumas regiões, demonstram que a parceria entre todos os atores regionais e locais é uma das condições
para o sucesso. Logo, aqui está uma boa razão para recomendar que as agências de desenvolvimento promovam o máximo de diálogo
possível, sinergias e complementariedades com qualquer tipo de estrutura que seja capaz, de uma maneira ou de outra, de apoiar,
mudar ou reforçar suas próprias ações.
Formação
As agências de desenvolvimento regional realizam (ou articulam
com instituições de capacitação) uma série de cursos de formação para potenciais empresários e diretores de PMEs. Em certas
circunstâncias isto representa um decréscimo agudo no emprego, as ADRs fornecem formação a pessoas desempregadas. Outras agências
estão profundamente envolvidas na avaliação das necessidades de especialização. Debruçando-nos sobre a experiência européia,
parece que algumas organizações regionais estão bem posicionadas para tomar a seu cargo a Análise de Necessidades de Formação
e são capazes de dar resposta imediata às necessidades de emprego nas suas regiões.
Embora tenham sido desenvolvidas
várias abordagens para avaliação de necessidades de formação, pode-se dizer que a abordagem regional é a mais apropriada para
que a Análise de Necessidades de Formação detecte, em curto prazo, as necessidades imediatas para atualizar a força de trabalho,
enquanto que a abordagem setorial é mais adequada para olhar as necessidades de formação a longo prazo, as qualificações e
a geração de novas habilitações.
Atividades Conjuntas entre Agências de Desenvolvimento Regional
Num mundo
que se desenvolve cada vez mais rapidamente, pode ser de interesse de uma ADR agrupar-se numa rede internacional e/ou multiplicar
contatos com estruturas equivalentes de outras regiões e países. Este tipo de relações são possíveis e desejáveis na medida
em que os benefícios são óbvios.
De fato o interesse consignado pelas ADRs à cooperação inter-regional é o resultado
de uma apropriação de experiências, bem sucedidas, conduzidas noutros locais e de uma procura de sinergias em outras regiões.
Isso traduz-se na atividade quotidiana de uma ADR de forma bastante positiva. Contribuindo com o espírito de associativismo,
pode ajudar a ultrapassar dificuldades que de outra forma seriam insuperáveis.
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