As atividades de uma agência de desenvolvimento são muito
numerosas e diversificadas. É mesmo difícil e arriscado agrupá-las em categorias principais genéricas, ou mesmo tentar esboçar
uma nomenclatura. As atividades abaixo mencionadas devem ser consideradas como indicativas.
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Desenvolver e implementar um programa regional estratégico;
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Estudos e bases de dados;
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Consultoria e informação a empresas ou criadores de
empresas;
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Formação;
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Gestão de bens imóveis de empresas;
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Engenharia financeira;
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Inovação e transferência de tecnologia;
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Procura de investidores estrangeiros;
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Internacionalização de empresas.
Será evidente que, excetuando as grandes agências de desenvolvimento,
isto é, as que abrangem regiões importantes no que se refere à sua população, é praticamente impossível para uma agência de
desenvolvimento ir ao encontro de todas as necessidades de uma região e oferecer um vasto leque de ferramentas e de serviços.
Desse modo, serão aconselhadas a:
-
Especializar ou diferenciar os serviços que oferecem;
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Articularem-se com as estruturas regionais capazes
de contribuir com
recursos adicionais (economias de escala e sinergias);
-
Ter contato com empresas privadas de consultoria;
Procurar permanentemente a inovação, mesmo se tiverem que privatizar
ou subcontratar os produtos e serviços desenvolvidos quando o último atinge a maturidade ou o mercado se desenvolve.
Programação
Regional Estratégica
Existem várias definições para caracterizar o conceito de planejamento estratégico regional,
tais como:
- Um conjunto de objetivos e princípios definidos para um dado projeto,
de modo a decidir os recursos que lhe serão prescritos durante um prazo representando o horizonte do planejamento selecionado;
- A determinação das escolhas estratégicas de médio prazo para o desenvolvimento
econômico, social e cultural e os recursos necessários para as atingir;
- O projeto territorial, com conteúdos e com um processo de implementação;
- Um instrumento de apoio decisional (O que deverá ser feito? Como deverá
ser feito?) e um instrumento coerente de criação (consultoria e adesão);
- Um processo para gerir mudanças e descobrir os caminhos mais promissores
para o futuro das cidades e das autoridades locais e regionais. Este processo consiste em "dar luz" às forças, fraquezas e
oportunidades das cidades e das regiões;
- A consideração sistemática das capacidades locais existentes, determinando
a sua percentagem de uso e identificando as que necessitam ser obtidas;
- Um conjunto de operações ordenadas e formais, tendo recurso e capacidades
identificadas e relacionando os vários atores que intervêm na região.
Em cada caso, os atores afirmam que a programação estratégica
necessita de um fator tempo, uma contribuição e um acompanhamento da implementação, bem como uma massa crítica de projetos
empresariais e uma liderança com credibilidade, poder decisional e acesso a recursos financeiros.
Os desafios da programação estratégica são fundamentalmente
dois:
a) Mobilizar os potenciais parceiros, tanto públicos como
privados, quer em nível supra-regional quer a nível regional, ou mesmo sub-regional;
b) Alcançar um equilíbrio entre os vários componentes
de desenvolvimento regional: infra-estruturas, recursos endógenos, apoio aos criadores de empresas e às empresas já existentes,
prestando assistência à formação ocupacional, transferência de tecnologia, pesquisa, etc?
A programação estratégica apresenta, portanto, a vantagem
de definir os parâmetros de acordo com os quais terá lugar a intervenção prioritária ficando alguém encarregado de determinar
a estrutura dos parceiros a mobilizar.
Em conseqüência, o papel de uma agência de desenvolvimento
é assegurar que as condições para o sucesso enumeradas estejam presentes e que a parceria requerida opere num caminho otimizado.
Deveremos ter em conta que o desenvolvimento de uma estratégia
regional é freqüentemente baseado, por exemplo, numa Análise SWOT. Esta última deve ser considerada como uma tentativa de
olhar criticamente as perspectivas de uma região. A base para uma análise deste tipo será um exame da região e uma análise
das condições de mercado. O exame incluirá tanto uma análise da estrutura industrial, do mercado de trabalho e do setor sem
fins lucrativos, bem como uma análise do comportamento das autoridades públicas.
Terá que sublinhar que a Análise SWOT não é a única análise
técnica (a FIEP tem adotado com freqüência o método de Investigação Apreciativa), mas sim a sugestão de uma ferramenta que
contribui para a tomada de decisão.
Serviços Relacionados com Negócios
De acordo com um inquérito levado a cabo junto de diversas
agências Européias, os serviços para as empresas estão se tornando uma atividade cada vez mais importante. Parece também que
os serviços relacionados com negócios alcançam um crescimento maior do que a economia geral e o setor de serviços.
As respostas obtidas com aquele inquérito permite identificar
oito funções genéricas nos serviços relacionados com negócios:
1. Gestão;
2. Produção;
3. Informação e Comunicação;
4. Pesquisa;
5. Marketing;
6. Serviços
Operacionais;
7. Pessoal;
8. Logística.
A qualidade dos serviços relacionados com os negócios
deverão ter as seguintes características:
Desenvolvimento estreito com o mercado.
O
Papel das Agências de Desenvolvimento Regional
A vitalidade de uma região é baseada tanto no desenvolvimento
das empresas existentes como no estímulo do espírito empresarial. Uma agência de desenvolvimento deve dar a devida atenção
aos problemas das empresas existentes ou em início de atividade. Por conseguinte, deverá desenvolver uma estrutura interna,
tendo em conta a opinião e o serviço requerido por estes dois tipos de empresa.
As ações no campo das companhias existentes
podem estar ligadas com:
-
O reforço do capital de negócios;
-
A melhoria do sistema de produção (consultoria na transferência
de tecnologia, sistemas de qualidade, organização do sistema produtivo, etc.);
-
A formação em gestão;
-
A procura de novos mercados (diversificação de produção
e/ou encorajamento de exportação);
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A procura de novos parceiros (comerciais, tecnológicos,
etc.);
-
O desenvolvimento de sistemas de empresas e das suas
redes de trabalho.
Parece importante assinalar que a criação de emprego
através do desenvolvimento de empresas existentes não é suficientemente tida em consideração. As empresas que empregam entre
50 a 200 pessoas têm freqüentemente um potencial de exportação e de criação de emprego inexplorado.
Devemos acrescentar
que a consultoria, visando a transferência e disseminação de tecnologia, é uma excelente área de ação em favor das empresas.
No que diz respeito ao estímulo do espírito empresarial, a questão será, acima de tudo, desenvolver ações que visem:
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Promover um espírito empresarial na população, efetivado
através de campanhas pela mídia: imprensa local, rádio, televisão, ou mesmo campanhas utilizando posters;
-
Identificar portadores de projetos, de modo a permitir
a sua implementação concreta pela oferta de serviços de informação sobre os procedimentos e ajudas para a ativação de um negócio;
-
Formar os empreendedores, no seu sentido mais vasto
(financeiro, Marketing, etc.), em certos casos poder realizar uma abordagem setorial (novas tecnologias, turismo...) ou visar
um público alvo particular (desempregados de longa duração, mulheres, minorias étnicas, ...);
-
Prestar assistência nos primeiros passos da empresa
sob forma de orientação;
-
Financiar os primeiros passos do negócio;
-
Cooperar com universidades de modo a favorecer resultados
paralelos.
Finalmente, deve-se salientar que, em certos casos, a
agência de desenvolvimento terá que intervir de modo a salvaguardar a continuidade do emprego nas empresas em dificuldades.
De fato, perante a crise econômica que ameaça as empresas que assistiram ou atraíram, de modo a evitar os efeitos negativos
da descentralização de grandes empresas ou das mudanças nos comportamentos de compra dos grandes diretores em relação aos
subcontratados, as agências de desenvolvimento podem, ou devem, por vezes, intervir de modo a manter a duração do emprego
nas suas regiões.
A disponibilidade de capital é uma limitação a este tipo de ação. Por vezes é também levantada a
questão da relevância da intervenção direta de uma agência de desenvolvimento, ou de fundos públicos, de modo a contrabalançar
as decisões do setor privado ou a substituir a iniciativa privada.
Como conclusão das considerações referidas, devemos
relembrar que uma agência de desenvolvimento pode envolver-se, em qualquer altura do ciclo de vida de uma empresa ou de um
produto desenvolvido por uma empresa.
Serviços Financeiros a Empresas
Além dos créditos clássicos propostos
por bancos, existe um vasto leque de instrumentos financeiros para ajudar as empresas. Estes abrangem desde subsídios a concessões
de capital de risco.
Em alguns países europeus as agências de desenvolvimento investiram na gestão de tais instrumentos
financeiros a favor das empresas e, noutros países, limitaram-se a criar processos aplicativos para autoridades regionais
ou locais que possibilitem a concessão do apoio.
Entre os tipos de assistência financeira mais usados, deveremos mencionar:
-
Os subsídios - podem variar dependendo se dizem respeito
à ajuda a criação de empresas, ao desenvolvimento de empresas existentes, à introdução de novas tecnologias, ao investimento
no estrangeiro, etc...;
- Os empréstimos de longo prazo, com taxa de juro reduzida;
- A participação no capital, isto é, nas operações de capital inicial
e de risco, ou operações de capital de risco para desenvolvimento tecnológico;
- A concessão de garantias, como fundos de seguro ou de segurança mútua.
Paralelamente a estas técnicas diretas de assistência
financeira existe também um certo número de ações de apoio indireto, das quais destacamos:
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Apoio a Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico;
-
Assistência a uma gestão de controle e monitoramento;
-
Disponibilizar terrenos em zonas de atividade industrial
ou parques tecnológicos;
-
Disponibilizar espaços em edifícios ou incubadoras de
empresas.
Atrair Investidores Estrangeiros
É uma atividade
cada vez mais implementada pela grande maioria das agências de desenvolvimento. De modo a gerir melhor esta atividade, várias
agências de desenvolvimento estabelecem gabinetes no exterior, outras limitam-se a medidas mais tradicionais, como: missões
técnicas, cooperação com estruturas nacionais especializadas, campanhas informativas ou também participação em feiras de negócios
ou exposições.
Relações entre Agências de Desenvolvimento e Outras Estruturas de Desenvolvimento Econômico
Com o decorrer do tempo, foram desenvolvidos novos conceitos
e novas estruturas, com a intenção de revitalizar a economia regional e o tecido social. Estes incluem, por exemplo, a criação
e desenvolvimento de Centros de Empresas e Inovação (vulgos BICs - Business Inovation Centers), incubadoras de empresas, parques
tecnológicos, fundos de investimento regional, centros de serviços a empresas, agências de desenvolvimento, etc..
Dependendo
da situação local e da rede interinstitucional em que operam, as agências de desenvolvimento integram certas funções, ou objetivos,
específicos a tais conceitos. Constata-se pois, no contexto da experiência Européia, que certas agências; exploram seus próprios
fundos de capital de risco; integram na sua atividade as funções de capital de risco, da consultoria a empresas; gerem um
Centro de Empresas e Inovação; etc..
As agências de desenvolvimento que estão estritamente envolvidas na gestão de
uma ou várias estruturas têm, no entanto, sua própria entidade legal. Desse modo, algumas delas gerem várias incubadoras.
são acionistas de: Centros de Empresas e Inovação, Parques Tecnológicos, cooperam com fornecedores de Formação de modo a ajustar
a oferta à Análise de Necessidades de Formação. etc...
As agências de desenvolvimento deveriam cooperar com as associações
empresariais, porém tais entidades por vezes restringem os serviços aos seus membros, enquanto que as agências de desenvolvimento
trabalham para todos.
Por outro lado, em algumas regiões, verifica-se a total ausência de relações entre as várias
organizações.
No entanto, a teoria de desenvolvimento regional, bem como as análises feitas de modo a perceber os
fatores de sucesso em algumas regiões, demonstram que a parceria entre todos os atores regionais e locais é uma das condições
para o sucesso. Logo, aqui está uma boa razão para recomendar que as agências de desenvolvimento promovam o máximo de diálogo
possível, sinergias e complementariedades com qualquer tipo de estrutura que seja capaz, de uma maneira ou de outra, de apoiar,
mudar ou reforçar suas próprias ações.
Formação
As agências de desenvolvimento regional realizam (ou articulam
com instituições de capacitação) uma série de cursos de formação para potenciais empresários e diretores de PMEs. Em certas
circunstâncias isto representa um decréscimo agudo no emprego, as ADRs fornecem formação a pessoas desempregadas. Outras agências
estão profundamente envolvidas na avaliação das necessidades de especialização. Debruçando-nos sobre a experiência européia,
parece que algumas organizações regionais estão bem posicionadas para tomar a seu cargo a Análise de Necessidades de Formação
e são capazes de dar resposta imediata às necessidades de emprego nas suas regiões.
Embora tenham sido desenvolvidas
várias abordagens para avaliação de necessidades de formação, pode-se dizer que a abordagem regional é a mais apropriada para
que a Análise de Necessidades de Formação detecte, em curto prazo, as necessidades imediatas para atualizar a força de trabalho,
enquanto que a abordagem setorial é mais adequada para olhar as necessidades de formação a longo prazo, as qualificações e
a geração de novas habilitações.
Atividades Conjuntas entre Agências de Desenvolvimento Regional
Num mundo
que se desenvolve cada vez mais rapidamente, pode ser de interesse de uma ADR agrupar-se numa rede internacional e/ou multiplicar
contatos com estruturas equivalentes de outras regiões e países. Este tipo de relações são possíveis e desejáveis na medida
em que os benefícios são óbvios.
De fato o interesse consignado pelas ADRs à cooperação inter-regional é o resultado
de uma apropriação de experiências, bem sucedidas, conduzidas noutros locais e de uma procura de sinergias em outras regiões.
Isso traduz-se na atividade quotidiana de uma ADR de forma bastante positiva. Contribuindo com o espírito de associativismo,
pode ajudar a ultrapassar dificuldades que de outra forma seriam insuperáveis.