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Importações em alta podem gerar déficit na balança paranaense no futuro

Compras do exterior aumentam 76,77% nos sete primeiros meses do ano, mas saldo deve se manter superavitário pelo menos até 2010

O crescimento constante das importações pela indústria paranaense pode provocar um rearranjo da balança comercial do Estado apenas em 2010, informa nesta segunda-feira (1º) o departamento econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Nos sete primeiros meses do ano, o volume de compras do exterior cresceu 76,77% em relação ao mesmo período de 2007, alcançando a marca de US$ 8,267 bilhões. Somente em julho, as importações registraram US$ 1,668 bilhões, o segundo maior valor de toda a série histórica pesquisada pela Fiep (o maior valor foi registrado em maio deste ano, R$ 1,839 bilhões). O valor importado nos últimos sete meses é maior que todas as importações anuais até 2006.

As exportações também continuam em alta, tendo crescido 38,96% de janeiro a julho de 2008 no comparativo com o mesmo período do ano passado, atingindo US$ 9,452 bilhões, o que resulta em um saldo superavitário de US$ 1,185 bilhões no ano. Na avaliação da Fiep, entretanto, caso o real se mantenha valorizado e o preço no mercado internacional das commodities e sua participação na pauta de exportações continue caindo, a tendência é que a balança inverta seu sinal. “São indicadores que vêm carregados de frustração, pois não se vislumbra nenhuma política adequada para favorecer e ampliar maior agregação de valor às nossas matérias-primas colocadas no mercado internacional”, afirma o coordenador do departamento econômico da Fiep, Maurílio Schmitt.

O Complexo Soja foi o grupo de produtos que mais cresceu na pauta de importações paranaenses, aumentando em 430,21% seu volume de compras nos primeiros sete meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado. Deste grupo, 32% correspondem à importação de óleos de soja, cuja expansão de janeiro a julho de 2008 alcançou o estratosférico nível de aumento de 61.582,58%. O Complexo Soja é, ao mesmo tempo, o grupo de produtos que lidera as exportações paranaenses, com 33,05% de participação nas vendas para o exterior, tendo se expandido 107,58% nos sete primeiros meses deste ano, fruto da boa safra agrícola do Estado e dos altos preços internacionais. A comparação demonstra que o Paraná permanece exportando soja in natura e importando produtos beneficiados.

Quando convertido para reais, o aumento das exportações do Paraná no período pesquisado se reduz para 15,62%, considerado o câmbio mensal médio divulgado pelo Banco Central. Na conversão para o euro, levando em conta o montante destinado à Comunidade Européia (um terço do volume exportado), a expansão da receita é de 21,99%. “Observando a média dos últimos 12 meses das exportações semestrais em reais, ou seja, as receitas das empresas oriundas de vendas do exterior, a de julho é inferior às do período de julho de 2004 a maio de 2005”, avalia Schimitt.

De janeiro a julho de 2008, os três grupos de produtos mais exportados pelas empresas paranaenses foram, além do Complexo Soja (participação de 33,05%), Material de Transportes (15,18%) e Carnes (12,24%). Nas importações, lideram Petróleo e Derivados (25,02%), Produtos Químicos (24,21%) e Mecânicos (10,47%).

Na avaliação das importações por categoria de uso, o maior aumento se deu na categoria Bens de Consumo, que cresceu 86,50% nos últimos 12 meses (agosto de 2007 a julho de 2008). Neste ano, o maior incremento, no entanto, se deu em Combustíveis e Lubrificantes (especialmente óleo bruto de petróleo), que cresceu 122,14%. “Se o preço do barril de petróleo no mercado internacional mantiver seu patamar, não devemos sofrer um impacto na balança”, afirma Schmitt.

 




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