Senai lança Cenários Energéticos 2020
Lançada em novembro, a publicação destaca
quatro cenários sobre energia elaborados pelo professor, escritor e pesquisador venezuelano José Luis Cordeiro
Os quatro cenários sobre energia elaborados para 2020 estão em destaque na publicação ?Cenários
Energéticos 2020?, lançada pelo Sistema Fiep, por meio do Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologia do Senai Paraná,
em novembro, no Cietep, em Curitiba. O conteúdo refere-se à palestra proferida em agosto de 2006 pelo professor, escritor
e pesquisador venezuelano José Luis Cordeiro, que é Mestre em Engenharia Mecânica pelo Massachusetts Institute of Technology
(MIT) e co-autor do livro State of the Future 2006 do Projeto Millennium, da Universidade das Nações Unidas. O evento foi
promovido pelo Sistema Fiep em parceria com a Copel. No lançamento da publicação, mais de 300 exemplares foram distribuídos
gratuitamente a industriais, especialistas, representantes do Estado e estudantes.
O primeiro cenário é o Business as usual,
que é tendencial, normativo, de grande moderação. O segundo, Environmental Backlash, é um cenário de crescimento que traz
à tona o meio ambiente, o impacto energético e as reações da humanidade diante de acidentes ambientais e mudanças climáticas.
O terceiro, High-tech Economy, é um cenário tecnológico de grande vigor, que aborda a economia em ascensão, convergência tecnológica,
inteligência artificial e grandes debates éticos. No último, Political Turmoil, as questões políticas e inter-relações geo-econômicas
desenham quadros internacionais tensos.
De acordo com Cordeiro, a perspectiva é que a Idade do Petróleo termine em
20 anos. "O que fará o mundo quando houver outras energias?", questiona o pesquisador. "As implicações dessa questão vão muito
além do que se pode imaginar inicialmente. Primeiro porque o mundo não pode continuar dependente do petróleo, e isto não pelo
risco de escassez do produto, mas pela fragilidade que impõe às economias. Segundo porque é preciso descarbonizar as energias
em uso, pois o planeta não consegue processar as atuais emissões de carbono. E terceiro porque teremos um agravamento importante
dos problemas geopolíticos que já estamos enfrentando", considera o venezuelano.
Por isso, o Projeto Millennium trabalha
com assuntos como células a combustível, economia do hidrogênio, seqüestro de carbono, energia solar, transmissão sem fio,
remessa por microondas, conceito de beyond petroleum, morte da OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo), Protocolo
de Kyoto, mudança tecnológica e supervisão energética.
"Nos séculos XVII, XVIII e XIX toda a energia do mundo vinha
da combustão da madeira. A primeira onda energética foi a da madeira, em seguida apareceu a onda do carvão, depois veio a
onda do petróleo. Agora estamos vivendo a onda do gás. Mas depois virão outras como a energia solar, o hidrogênio e todas
as outras energias renováveis", observa Cordeiro.
Segundo ele, cada onda energética é mais curta que a anterior, tem
menos carbono e mais hidrogênio. "A lenha tem muito carbono. A hulha e o carvão mineral têm muito carbono. O petróleo tem
menos, o gás tem menos... Então, há cada vez menos carbono e mais hidrogênio. Existe uma tendência de descarbonização da energia,
ou uma hidrogenação da energia, até que cheguemos totalmente ao hidrogênio, que é o elemento mais abundante do universo",
destaca o escritor, ressaltando que a velocidade com que estas mudanças ocorrem depende de uma questão econômica.
"Quanto
mais alto o preço do petróleo, mais alternativas de fontes energéticas serão desenvolvidas. Há fontes energéticas caras e
há outras mais baratas, e isto pode ser medido. Por exemplo, o milho nos Estados Unidos é muito caro. Produzir etanol de milho
é muito mais caro que produzir etanol de cana-de-açúcar. Desde o ano passado, pela primeira vez na humanidade e devido ao
Brasil e ao etanol brasileiro, o preço do açúcar foi atrelado ao preço do petróleo", compara.
De acordo com ele, muitas
tecnologias existem há bastante tempo mas não eram, até então, economicamente viáveis. "Hoje em dia, com o aumento do preço
do petróleo, muitas tecnologias se tornaram viáveis, começando com o bioetanol. O etanol não era rentável quando o preço do
petróleo era de 2 dólares por barril e hoje é rentável porque o petróleo está a 50, 60, 70 dólares. Então, novamente, é o
problema de custos, é um problema econômico. Tudo depende da rentabilidade da energia que se consegue com base nos investimentos
que são feitos", conclui Cordeiro.
Serviço
Interessados em adquirir um exemplar da publicação Cenários Energéticos 2020
podem procurar o Observatório de Prospecção e Difusão de Tecnologia do Senai Paraná, através do telefone (41) 3271-9433. A
distribuição é gratuita.
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